Beneficência Social

53/60

Capítulo 41 — Bênçãos reflexas

A lei da ação e reação — No plano da salvação, a sabedoria divina designou a lei da ação e reação, tornando a obra de beneficência, em todos os seus ramos, duplamente bendita. O que dá aos necessitados, beneficia a outros, e é ele próprio beneficiado em grau ainda maior. Deus poderia haver conseguido Seu objetivo na salvação dos pecadores, sem o auxílio do homem; sabia, porém, que o homem não podia ser feliz sem desempenhar uma parte na grande obra em que cultivaria a abnegação e a beneficência. Para que o homem não perdesse os benditos resultados da beneficência, nosso Redentor elaborou o plano de alistá-lo como Seu cooperador. — Testemunhos Selectos 1:360, 361. BS 301.1

É à medida que nos entregamos a Deus para o serviço da humanidade, que Ele Se nos dá. Ninguém pode dar em seu coração e vida lugar para a corrente da bênção de Deus fluir em direção a outros, sem que receba em si mesmo uma preciosa recompensa. — O Maior Discurso de Cristo, 122. BS 301.2

Ajudar outros desenvolverá o caráter — É na prática das obras de Cristo, ministrando como Ele ministrou aos aflitos e sofredores, que formamos caráter cristão. É para nosso bem que Deus nos chamou para a prática da abnegação por amor de Cristo, para levarmos a cruz, para trabalharmos e nos sacrificarmos a fim de buscar e salvar o que se havia perdido. Este é o processo de refinação do Senhor, pelo qual ele purga o material de má qualidade a fim de que os preciosos traços de caráter que estavam em Cristo Jesus possam aparecer no crente. ... Pela graça de Cristo nossos esforços para abençoar a outros não são apenas os meios de nosso crescimento na graça, mas darão realce a nossa futura felicidade eterna. Aos que têm sido coobreiros de Cristo, se dirá: “Bem está, servo bom e fiel; já que no pouco foste fiel, sobre o muito te colocarei.” — The Review and Herald, 27 de Junho de 1893. BS 301.3

O espírito de trabalho altruísta em favor de outros dá profundeza, estabilidade e amabilidade cristã ao caráter e traz paz e felicidade ao seu possuidor. — Testimonies for the Church 5:607. BS 302.1

A fonte da verdadeira felicidade — Ao trabalhar por outros, experimenta-se uma doce satisfação, uma paz íntima que será suficiente recompensa. Quando movidos por alto e nobre desejo de fazer bem a outros, encontrarão a verdadeira felicidade no fiel desempenho dos múltiplos deveres da vida. — Idem, 132. BS 302.2

A verdadeira felicidade encontra-se somente em ser bom e fazer o bem. — The Youth's Instructor, 5 de Dezembro de 1901. BS 302.3

Nossa felicidade será proporcional a nosso trabalho altruísta movido pelo divino amor, pois no plano da salvação Deus indicou a lei da ação e reação. — The Signs of the Times, 25 de Novembro de 1886. BS 302.4

O trabalho beneficente promove a saúde — Os que dão demonstração prática de beneficência por seus atos de simpatia e compaixão para com os pobres, os sofredores e desafortunados, não só aliviam os sofredores mas contribuem grandemente para a sua própria felicidade, e estão no caminho que assegura saúde da alma e do corpo. Isaías descreveu ... claramente a obra que Deus aceitará e pela qual abençoará o Seu povo. — Testimonies for the Church 4:60. BS 302.5

Chamo a vossa atenção para os infalíveis resultados de se dar ouvidos à admoestação do Senhor para que se cuide dos aflitos: “Então romperá a tua luz como a alva, a tua cura brotará sem detença.” Não é isto que todos desejamos? Oh! há saúde e paz em fazer a vontade de nosso Pai celestial! “A tua justiça irá adiante da tua face, e a glória do Senhor será a tua retaguarda. Então, clamarás, e o Senhor te responderá; gritarás, e Ele dirá: Eis-Me aqui; acontecerá isso se tirares do meio de ti o jugo, o estender do dedo e o falar vaidade; e, se abrires a tua alma ao faminto e fartares a alma aflita, então, a tua luz nascerá nas trevas, e a tua escuridão será como o meio-dia. E o Senhor te guiará continuamente, e fartará a tua alma em lugares secos, e fortificará teus ossos; e serás como um jardim regado e como um manancial cujas águas nunca faltam.” — The Medical Missionary, Junho de 1891. BS 302.6

Como a beneficência promove a saúde — O prazer de fazer o bem aos outros confere aos sentimentos calor que atravessa os nervos, aviva a circulação do sangue e promove a saúde mental e física. — Testimonies for the Church 4:56. BS 303.1

A afinidade existente entre a mente e o corpo é muito grande. Quando um é afetado, o outro sente. A condição da mente tem muito que ver com a saúde do sistema físico. Se a mente está liberta e feliz, com a consciência de haver feito o bem e o senso de satisfação por ter propiciado felicidade a outros, isto produzirá alegria que reagirá sobre todo o organismo, produzindo melhor circulação do sangue e estimulando todo o corpo. A bênção de Deus tem poder de cura, e os que são pródigos em beneficiar a outros experimentarão essa maravilhosa bênção no coração e vida. — Idem, 4:60. BS 303.2

Um remédio para a enfermidade — Alguns alegam falta de saúde — eles teriam prazer em fazer o bem, se tivessem forças. Esses por tanto tempo se concentraram em si mesmos, e em tão alta conta tiveram os seus sentimentos doentios, e tanto falaram de seus sofrimentos, provas e aflições, que isso se tornou como que sua verdade presente. Não são capazes de pensar em ninguém além de si mesmos, por muito que os outros tenham necessidade de simpatia e auxílio. Vós que tendes pouca saúde — existe para vós um remédio. Se cobrirdes os nus, recolherdes em casa os desterrados, e repartirdes o pão com os famintos, “então, romperá a tua luz como a alva, e a tua cura apressadamente brotará”. Fazer o bem é excelente remédio para a doença. Os que se empenham na obra são convidados a invocarem o Senhor, que prometeu responder-lhes. Sua vida será satisfeita na seca, e serão como jardim regado, cujas águas não faltarão. — Testimonies for the Church 2:29. BS 303.3

Esta é a receita que Cristo prescreve para a pessoa tremente, duvidosa, debilitada. Levantem-se pois os acabrunhados, os que andam lastimosos perante o Senhor, e ajudem alguém que necessite de ajuda. — Idem, 6:266. BS 304.1

Benefícios da simpatia — Quando a simpatia humana está misturada com o amor e a benevolência e é santificada pelo Espírito de Jesus, torna-se um elemento capaz de produzir grande bem. Os que cultivam a beneficência não estão apenas fazendo uma boa obra em favor de outros e beneficiando o recebedor da boa ação, mas estão beneficiando a si mesmos ao abrirem o coração à benéfica influência da verdadeira beneficência. Cada raio de luz lançado sobre outros será refletido sobre nosso próprio coração. Cada palavra de bondade e simpatia proferida aos tristes, cada ação que vise aliviar os oprimidos, e cada doação para suprir as necessidades de nossos semelhantes, dados ou feitos para glorificar a Deus, resultará em bênçãos para o doador. Os que assim trabalham estão obedecendo a uma lei do Céu e receberão a aprovação de Deus. ... BS 304.2

Jesus conhecia a influência da beneficência sobre o coração e a vida do benfeitor, e procurou imprimir na mente dos Seus discípulos os benefícios a serem derivados do exercício desta virtude. Ele disse: “Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber.” Ele ilustra o espírito de alegre beneficência que deve ser exercido no interesse dos amigos, vizinhos e estrangeiros, mediante a parábola do homem que ia de Jerusalém para Jericó. — Idem, 4:56, 57. BS 305.1

Salvando o próximo ele se salvou a si mesmo — A igreja que trabalha, é igreja que progride. Os membros encontram estímulo e tônico em ajudar a outros. Li a história de um homem que, viajando num dia de inverno através de grandes montes de neve, ficou entorpecido pelo frio, o qual ia quase imperceptivelmente congelando-lhe as forças vitais. Estava enregelado, quase a morrer, e prestes a abandonar a luta pela vida, quando ouviu os gemidos de um companheiro de viagem, também a perecer de frio. Despertou-lhe a compaixão e decidiu salvá-lo. Friccionando os membros enregelados do infeliz homem, conseguiu, depois de consideráveis esforços, pô-lo de pé. Como o coitado não se pudesse suster, conduziu-o compassivamente nos braços através dos mesmos montões que supusera nunca poder transpor sozinho. BS 305.2

Havendo conduzido o companheiro de viagem a lugar seguro, penetrou-lhe de súbito no espírito a verdade de que, salvando seu semelhante, salvara-se a si mesmo. Seus fervorosos esforços para ajudar a outro, estimularam-lhe o sangue prestes a congelar nas veias, comunicando saudável calor aos membros. BS 305.3

Essa lição de que, em auxiliar os outros nós mesmos somos ajudados, deve ser acentuada continuamente por preceito e exemplo perante nossos crentes jovens, a fim de que possam conseguir os melhores resultados em sua experiência cristã. Que as pessoas desanimadas, dispostas a pensar que o caminho da vida eterna é difícil e probante, se dediquem a ajudar os outros. Esses esforços, aliados à oração em busca de luz divina, hão de fazer com que o próprio coração palpite à vivificante influência da graça de Deus, e suas afeições se inflamem de mais divino fervor. Toda a sua vida cristã se tornará mais real, mais zelosa, mais rica de oração. — Obreiros Evangélicos, 198, 199. BS 305.4

A igreja é abençoada — Que os membros da igreja cumpram fielmente durante a semana a sua parte, e narrem ao sábado suas experiências. A reunião será então como alimento a seu tempo, trazendo a todos os presentes nova vida e vigor. Quando o povo de Deus vir a grande necessidade de trabalhar como Cristo fazia pela conversão de pecadores, os testemunhos dados por eles nos cultos de sábado serão cheios de poder. Com alegria testificarão quanto ao valor da experiência que têm adquirido em trabalhar por outros. — Obreiros Evangélicos, 199. BS 306.1

Nossas próprias graças exercidas — Se não tivesse havido nada no mundo para cruzar nossos propósitos, a paciência, a tolerância, a mansidão e a longanimidade não teriam sido chamadas à ação. Quanto mais são essas graças exercidas, mais aumentam e se fortalecem. Quanto mais distribuímos nosso pão temporal com os famintos, quanto mais vezes vestimos os nus, visitamos os enfermos, aliviamos os órfãos e as viúvas em sua aflição, mais decididamente sentimos a realidade das bênçãos de Deus. — Manuscrito 64, 1894. BS 306.2

Por que são as bênçãos retidas — A bênção de Deus não pode vir sobre os que se mostram ociosos em Sua vinha. Professos cristãos que nada fazem neutralizam os esforços dos verdadeiros obreiros por sua influência e exemplo. Fazem que as grandes e importantes verdades que professam crer pareçam inconsistentes, e tornam-nas de nenhum efeito. Eles representam falsamente o caráter de Cristo. Como pode Deus derramar os chuveiros de Sua graça sobre as igrejas que são em grande parte compostas desta espécie de membros? Não são de maneira nenhuma úteis na obra de Deus. Como pode o Mestre dizer a tais pessoas: “Bem está, servo bom e fiel... entra para o gozo do teu Senhor”, quando eles não têm sido nem bons e nem fiéis? Deus não pode dizer uma falsidade. O poder da graça de Deus não pode ser dado em grande medida às igrejas. Desonraria o Seu próprio glorioso caráter permitir que torrentes de graça viessem sobre o povo que não toma o jugo de Cristo, que não leva o Seu fardo, que se não negam a si mesmos, que não exaltam a cruz de Cristo. Por causa de sua indolência são um embaraço aos que sairiam para o trabalho se eles não barrassem o caminho. — The Review and Herald, 21 de Julho de 1896. BS 306.3

Tornando-se conduto de boas obras — Se Deus e os anjos e Cristo Se rejubilam quando um único pecador se arrepende e se torna obediente a Cristo, não deve o homem imbuir-se do mesmo espírito e trabalhar para o tempo e a eternidade com perseverante esforço a fim de salvar não apenas a sua própria alma, mas as almas de outros? Se trabalhais nesta direção com interesse e inteireza de coração como seguidores de Cristo, desempenhando cada dever, aproveitando cada oportunidade, vossa própria alma será gradualmente moldada segundo o cristão perfeito. O coração não será seco e insensível. A vida espiritual não será amesquinhada. O coração brilhará com a impressão da imagem divina, pois estará em íntima simpatia com Deus. Toda a vida transbordará com alegre prontidão pelos canais do amor e simpatia pela humanidade. O eu será esquecido, e os caminhos desta classe serão estabelecidos em Deus. Em refrigerando a outros sua própria alma será refrigerada. As torrentes que fluírem através de suas almas são oriundas de uma fonte viva e fluem para outros em boas obras, em esforços ferventes e altruístas por sua salvação. Para que seja uma árvore frutífera, a alma precisa derivar seu sustento e suporte da Fonte da Vida e tem de estar em harmonia com o Criador. — Idem, 2 de Janeiro de 1879. BS 307.1

A razão da esterilidade — Nenhuma de nossas igrejas precisa ser infrutífera e estéril. Mas alguns de nossos irmãos e irmãs estão em perigo de definhar até a morte espiritual muito embora estejam constantemente ouvindo a verdade apresentada por nossos pastores, pois negligenciam repartir o que recebem. Deus requer de cada um de Seus mordomos que use o talento que lhe é confiado. Ele nos concede ricos dons para que os distribuamos fartamente a outros. Ele nos conserva o coração inundado com a luz de Sua presença, a fim de que revelemos a Cristo a nossos semelhantes. Como podem os que cruzam os braços em ociosidade, que se contentam em nada fazer, esperar que Deus continue a suprir suas necessidades? Os membros de nossas igrejas devem trabalhar como quem espera prestar contas. — Idem, 11 de Novembro de 1902. BS 308.1

Nosso destino está envolvido — É o trabalho que fazemos ou deixamos de fazer que se faz sentir com tremendo poder sobre nossa vida e destino. Deus requer de nós que aproveitemos cada oportunidade que nos é oferecida a fim de fazer bem. Negligenciar fazer isto é perigoso para o nosso crescimento espiritual. — Testimonies for the Church 3:540. BS 308.2

Aquele que vive para agradar a si mesmo não é cristão — “Porventura não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres desabrigados, e se vires o nu, o cubras, e não te escondas do teu semelhante?” Quanto desta preocupação em esconder-se não tem sido praticada! Quantos não têm fechado os olhos e a porta do coração, para que uma branda influência não os conduza a obras de bondade e caridade! O trabalho de Cristo nunca cessa. Seu terno amor e bondade são inexauríveis; Sua misericórdia é sobre todos os filhos dos homens. O Senhor Jesus faz sentir que sereis abençoados ao distribuir com os Seus necessitados sofredores. Ele tornou os homens Seus sócios. “Sois colaboradores de Deus.” Não tem Cristo, tanto por preceito como por exemplo, ensinado claramente o que nos compete fazer? Devemos trabalhar imbuídos de Seu Espírito, ao olharmos a cruz, prontos a deixar tudo por Seu amor, se Ele assim nos ordenar. Aquele que vive para agradar-se a si mesmo, não é cristão. Não foi criado de novo em Cristo Jesus. BS 309.1

O cristão compreende que nenhum outro ser no Universo tem sobre ele os direitos que tem Jesus. Ele é uma propriedade adquirida, comprada pelo elevado preço do sangue do Cordeiro. Deve, pois, devotar-se sem reservas a Cristo; seus pensamentos, palavras e todas as suas obras devem estar sujeitos à vontade de Cristo. — The Medical Missionary, Junho de 1891. BS 309.2

Contentamento aqui e recompensa eterna no futuro — Para sermos felizes, precisamos procurar alcançar um caráter como o que Cristo manifestou. Uma marcante peculiaridade de Cristo foi Sua abnegação e benevolência. Ele veio não para buscar o que Lhe era próprio. Andou fazendo o bem, e isto era Sua comida e bebida. Nós podemos, seguindo o exemplo do Salvador, estar em santa comunhão com Ele; e ao buscar diariamente imitar o Seu caráter e seguir o Seu exemplo seremos uma bênção para o mundo e garantiremos nosso contentamento aqui e uma eterna recompensa no futuro. — Testimonies for the Church 4:227. BS 309.3