A Verdade sobre os Anjos

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Os magos

Não foi somente nas colinas da Judéia, nem apenas entre os humildes pastores, que os anjos encontraram os que se achavam vigilantes pela vinda do Messias. Na terra dos gentios havia também os que por Ele esperavam; eram homens sábios, ricos e nobres filósofos do Oriente. Estudiosos da Natureza, haviam os magos visto a Deus em Sua obra. Pelas Escrituras hebraicas tinham aprendido acerca da Estrela que deveria surgir de Jacó, e com ardente desejo esperavam a vinda dAquele que seria não somente a “Consolação de Israel” (Lucas 2:25), mas uma “luz para alumiar as nações” (Lucas 2:32), e “salvação até aos confins da Terra”. Atos dos Apóstolos 13:47. — O Grande Conflito, 315. VA 161.1

Os sábios... haviam estudado as profecias e sabiam que se achava às portas o tempo em que Cristo deveria vir. Achavam-se ansiosamente aguardando por algum notável sinal deste grande evento, para que pudessem encontrar-se entre os primeiros a dar as boas-vindas ao Rei celestial e adorá-Lo. Estes sábios haviam contemplado os céus iluminados com a luz que irradiara dos mensageiros celestiais que anunciaram o nascimento de Cristo aos pastores de Israel. Depois que a multidão angélica retornara ao Céu, uma brilhante estrela aparecera. A aparência incomum da grande e luminosa estrela, que nunca antes haviam observado, pendente no Céu como que significando um sinal, atraiu a atenção dos magos, e o Espírito de Deus moveu-os a saírem à procura dAquele que viera do Céu para visitar o mundo caído. — Redemption or the First Advent of Christ With His Life and Ministry, 16. VA 161.2

Ao dissipar-se a luz [dos anjos sobre Belém], surgiu uma luminosa estrela que permaneceu no céu. Não era uma estrela fixa, nem um planeta, e o fenômeno despertou o mais vivo interesse. Aquela estrela era um longínquo grupo de anjos resplandecentes, mas isso os sábios ignoravam. Tiveram, todavia, a impressão de que aquela estrela tinha para eles significado especial. Consultaram sacerdotes e filósofos, e examinaram os rolos dos antigos registros. A profecia de Balaão declarara: “Uma Estrela procederá de Jacó, e um cetro subirá de Israel.” Números 24:17. Teria acaso sido enviada essa singular estrela como precursora do Prometido? Os magos acolheram com agrado a luz da verdade enviada pelo Céu; agora era sobre eles derramada em mais luminosos raios. Foram instruídos em sonhos a ir em busca do recém-nascido Príncipe. — O Desejado de Todas as Nações, 60. VA 162.1

Anjos de Deus, com a aparência de uma estrela, conduziram os sábios em sua missão de procura a Jesus. Estes vieram com presentes custosos e ofertas de incenso e mirra, para entregar sua oferenda ao menino Rei predito pela profecia. Seguiram os brilhantes mensageiros com segurança e grande alegria. — The Review and Herald, 9 de Dezembro de 1884. VA 162.2

Os homens sábios conduziram seu caminho para onde a estrela parecia guiá-los. À medida que se aproximavam da cidade de Jerusalém, a estrela foi-se apagando, e deixou de guiá-los. Raciocinaram que os judeus em Jerusalém não ignorariam o grande evento da chegada do Messias, de modo que fizeram perguntas na vizinhança da cidade. Expuseram claramente seu objetivo. Estavam à procura de Jesus, o rei dos judeus, pois haviam visto Sua estrela no oriente, e haviam vindo para adorá-Lo. — Redemption or the First Advent of Christ With His Life and Ministry, 16. VA 162.3

A chegada dos magos foi prontamente divulgada por toda Jerusalém. Sua estranha mensagem criou entre o povo um despertamento que penetrou no palácio do rei Herodes. O astuto edomita foi despertado ante a notícia de um possível rival. ... VA 163.1

Herodes suspeitou que os sacerdotes estivessem tramando com os estrangeiros para despertar um tumulto popular, destronando-o. Ocultou, no entanto, sua desconfiança, decidido a malograr-lhes os planos por maior astúcia. Convocando os principais dos sacerdotes e os escribas, interrogou-os quanto aos ensinos dos livros sagrados com relação ao lugar do nascimento do Messias. VA 163.2

Essa indagação do usurpador do trono, e o ser feita a instâncias de estrangeiros, incitou o orgulho dos mestres judeus. A indiferença com que se voltaram para os rolos da profecia, irritou o ciumento tirano. Julgou que estavam buscando ocultar seu conhecimento do assunto. Com uma autoridade que não ousaram desatender, ordenou-lhes que fizessem atenta busca e declarassem o lugar do nascimento do esperado Rei. “E eles lhe disseram: Em Belém da Judéia, porque assim está escrito pelo profeta.” Mateus 2:5. ... VA 163.3

Os sacerdotes e anciãos de Jerusalém não eram tão ignorantes a respeito do nascimento de Cristo como simulavam. A notícia da visita dos anjos aos pastores fora levada a Jerusalém, mas os rabis a haviam recebido como pouco digna de atenção. Eles próprios poderiam haver encontrado Jesus, e estado preparados para conduzir os magos ao lugar em que nascera; ao invés disso, porém, foram eles que lhes vieram chamar a atenção para o nascimento do Messias. “Onde está Aquele que é nascido Rei dos judeus?” perguntaram; “porque vimos a Sua estrela no Oriente e viemos a adorá-Lo.” Mateus 2:2. VA 163.4

Então o orgulho e a inveja cerraram a porta à luz. Fossem acreditadas as notícias trazidas pelos pastores e os magos, e teriam colocado os sacerdotes e rabinos numa posição nada invejável, destituindo-os de suas pretensões a exponentes da verdade de Deus. Estes doutos mestres não desceriam a ser instruídos por aqueles a quem classificavam de gentios. Não poderia ser, diziam, que Deus os passasse por alto, para Se comunicar com pastores ignorantes ou incircuncisos pagãos. Resolveram mostrar desprezo pelas notícias que estavam agitando o rei Herodes e toda Jerusalém. Nem mesmo iriam a Belém, a ver se estas coisas eram assim. ... VA 164.1

Sozinhos partiram os magos de Jerusalém. Caíam as sombras da noite quando saíram das portas, mas, para sua grande alegria viram novamente a estrela, e foram guiados a Belém. Não tinham, como os pastores, recebido comunicação quanto ao humilde estado da Criança. ... Em Belém, não encontraram nenhuma guarda real a proteger o recém-nascido Rei. Não havia a assisti-Lo nenhum dos grandes da Terra. Jesus estava deitado numa manjedoura. Os pais, iletrados camponeses, eram Seus únicos guardas. ... VA 164.2

“E, entrando na casa, acharam o Menino com Maria, Sua mãe, e, prostrando-se, O adoraram.” Mateus 2:11. Através da humilde aparência exterior de Jesus, reconheceram a presença da Divindade. — O Desejado de Todas as Nações, 61-63. VA 164.3

Depois que a missão dos sábios fora completada, era seu propósito retornar e levar a Herodes as alegres novas de seu sucesso na jornada. Deus, contudo, enviou Seus anjos durante a noite para modificar o trajeto dos magos. Em visão noturna foram eles claramente orientados quanto a não retornar a Herodes. Eles obedeceram aos mensageiros celestiais e retornaram para casa por outro caminho. — Redemption or the First Advent of Christ With His Life and Ministry, 19. VA 165.1

De igual maneira, recebeu José aviso de fugir para o Egito com Maria e a criança. E o anjo disse: “E demora-te lá até que eu te diga, porque Herodes há de procurar o Menino para O matar.” Mateus 2:13. José obedeceu sem demora, pondo-se de viagem à noite, para maior segurança. ... VA 165.2

Em Jerusalém, Herodes aguardava impaciente a volta dos magos. Como passasse o tempo, e não aparecessem, despertaram-se nele suspeitas. ... Imediatamente foram enviados soldados a Belém, com ordem de matar todas as crianças de dois anos e para baixo. — O Desejado de Todas as Nações, 64, 65. VA 165.3

Mas um poder mais elevado achava-se operando contra os planos do príncipe das trevas. Anjos de Deus frustraram seus desígnios e protegeram a vida do menino Redentor. — The Signs of the Times, 4 de Agosto de 1887. VA 165.4

José, que ainda se achava no Egito, foi então solicitado por um anjo de Deus a voltar para a terra de Israel. ... Ouvindo, porém, que Arquelau reinava na Judéia em lugar de seu pai, receou que o desígnio do pai contra Cristo pudesse ser executado pelo filho. ... VA 165.5

Novamente foi José encaminhado para um lugar de segurança. Voltou para Nazaré, sua residência anterior, e ali, por cerca de trinta anos viveu Jesus. ... Deus... comissionou anjos para assisti-Lo e protegê-Lo até que cumprisse Sua missão na Terra, e morresse às mãos daqueles a quem viera salvar. — O Desejado de Todas as Nações, 66, 67. VA 166.1