Parábolas de Jesus

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A linguagem

O dom da palavra é um talento que deve ser cultivado cuidadosamente. De todos os dons que recebemos de Deus, nenhum é capaz de se tornar maior bênção que este. Com a voz convencemos e persuadimos, com ela elevamos orações e louvores a Deus, e também falamos a outros do amor do Redentor. Que importância tem, pois, que seja bem educada a fim de tornar-se mais eficaz para o bem! PJ 178.1

A cultura e o correto uso da voz são grandemente negligenciados até por pessoas de inteligência e de atividade cristã. Muitos há que lêem ou falam de maneira tão baixa ou tão rápida, que não podem ser compreendidos perfeitamente. Alguns possuem pronúncia pesada e indistinta, outros falam em tonalidade alta, em tons agudos e estridentes, desagradáveis aos ouvintes. Textos, hinos, relatórios e outras partes, apresentados em reuniões públicas, são às vezes lidos de maneira tal que não são entendidos, de modo que muitas vezes perdem toda a força e nada impressionam. PJ 178.2

Esse é um mal que pode e deve ser corrigido. A Bíblia nos dá instruções neste ponto. É dito dos levitas que liam as Escrituras ao povo nos dias de Esdras: “Leram no Livro, na lei de Deus, e declarando e explicando o sentido, faziam que, lendo, se entendesse.” Neemias 8:8. PJ 178.3

Por esforço diligente todos podem adquirir a capacidade de ler inteligivelmente e falar em tom claro e sonoro, e de maneira distinta e impressiva. Fazendo isso podemos desenvolver grandemente nossa eficiência como obreiros de Cristo. PJ 178.4

Cada cristão é chamado para anunciar a outros as inescrutáveis riquezas de Cristo; por isso deve procurar perfeição no falar. Deve apresentar a Palavra de Deus de maneira tal que a recomende ao auditório. Deus não pretende que Seus porta-vozes sejam incultos. Não é Sua vontade que o homem restrinja ou rebaixe a fonte celeste que por ela flui para o mundo. PJ 178.5

Devemos contemplar a Jesus como modelo perfeito; devemos solicitar o auxílio do Espírito Santo, e em Seu poder procurar adestrar todos os órgãos para um trabalho perfeito. PJ 178.6

Isso se aplica especialmente aos que são chamados para o ministério público. Todo pregador e todo instrutor deve lembrar que está dando ao povo uma mensagem que encerra interesses eternos. A verdade anunciada julgá-lo-á no dia do grande ajuste final. E para alguns a maneira de alguém apresentar a mensagem determinará sua aceitação ou rejeição. Seja pois falada a verdade de modo que apele ao entendimento e impressione o coração. Seja ela pronunciada compassada, distinta e solenemente, mas com toda a sinceridade que sua importância requer. PJ 178.7

A cultura e uso convenientes do dom da palavra relacionam-se com todos os ramos da obra cristã; penetra na vida familiar e em todo intercâmbio mútuo. Devemos acostumar-nos a falar em tom agradável, usando linguagem pura e correta, com palavras amáveis e corteses. Palavras suaves e bondosas são para o espírito como o orvalho e a chuva branda. A Escritura diz de Cristo, que havia em Seus lábios uma graça tal que sabia “dizer, a seu tempo, uma boa palavra ao que está cansado”. Isaías 50:4. E o Senhor nos manda: “A vossa palavra seja sempre agradável” (Colossences 4:6), “para que dê graça aos que a ouvem”. Efésios 4:29. Procurando corrigir ou reformar a outros devemos ter cuidado com nossas palavras. Serão um cheiro de vida para vida ou de morte para morte. Quando censuram ou aconselham, muitos usam linguagem áspera e severa, palavras que não são adequadas para curar um coração ferido. Por essas expressões inadequadas é irritado o espírito, e os errantes são muitas vezes instigados à rebelião. Todos os que quiserem advogar os princípios da verdade precisarão receber o celeste óleo do amor. Sob todas as circunstâncias, a censura deve ser expressa com amor. Então nossas palavras reformarão e não hão de exasperar. Cristo pelo Espírito Santo suprirá o poder necessário. Essa é Sua obra. PJ 179.1

Não se deve proferir uma única palavra imprudentemente. Nenhuma maledicência, palavreado frívolo algum, nenhuma murmuração impertinente nem sugestão impura sairá dos lábios do seguidor de Cristo. Escrevendo por inspiração do Espírito Santo, diz o apóstolo Paulo: “Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe.” Efésios 4:29. Palavras torpes não significam somente palavras vis. Quer dizer qualquer expressão contrária aos santos princípios e à religião pura e imaculada. Inclui idéias impuras e insinuações malévolas. Se não forem repelidas imediatamente, conduzem a grande pecado. PJ 179.2

É dever de toda família e de cada cristão individualmente opor-se ao uso da linguagem corrupta. Quando em companhia de quem se deleita em palestras tolas, é nosso dever mudar o assunto da conversação, se possível. Com o auxílio da graça de Deus devemos calmamente proferir algumas palavras, ou introduzir um tema que oriente a conversa para terreno mais aproveitável. PJ 179.3

É obrigação dos pais inculcar nos filhos bons hábitos de linguagem. A melhor escola para a cultura da voz é o lar. Desde os primeiros anos deve a criança ser ensinada a falar respeitosamente e com amor, a seus pais e aos outros. Ensinar-se-lhe-á que somente palavras gentis, verdadeiras e puras lhe devem sair dos lábios. Os pais mesmos devem estudar diariamente na escola de Cristo. Assim poderão ensinar aos filhos, por preceito e exemplo, o uso da “linguagem sã e irrepreensível”. Tito 2:8. Esse é um de seus maiores deveres e da maior responsabilidade. PJ 179.4

Como seguidores de Cristo, nossas palavras devem ser um auxílio e encorajamento a outros na vida cristã. Muito mais do que fazemos precisamos falar dos preciosos capítulos de nossa experiência. É bom falarmos da misericórdia e longanimidade de Deus, e da incomparável profundeza do amor do Salvador. Nossas palavras devem ser expressões de louvor e ações de graças. Se o coração e a mente estiverem cheios do amor de Deus, isso será revelado na conversação. Não nos será difícil transmitir aquilo que experimentamos na vida espiritual. Grandes pensamentos, aspirações nobres, percepção clara da verdade, propósitos liberais, anelos de piedade e santidade, produzirão frutos em palavras que revelam o caráter do tesouro do coração. Se Cristo for assim manifestado em nossa linguagem, a mesma terá o poder de conquistar almas para Ele. PJ 180.1

Devemos falar de Cristo aos que O não conhecem. Devemos fazer o que Cristo fez. Onde quer que estivesse, na sinagoga, à beira do caminho, no barco um tanto arredado da margem, no banquete do fariseu ou à mesa do publicano, falava aos homens das coisas pertinentes à vida mais elevada. As coisas da natureza, os acontecimentos da vida diária eram por Ele relacionados com as palavras da verdade. O coração dos ouvintes era atraído para Ele, porque lhes curara as enfermidades, confortara os aflitos, e tomara nos braços seus filhinhos e os abençoara. Quando abria os lábios para falar, a atenção deles se voltava para Ele, e toda palavra era para alguém um cheiro de vida para vida. Assim deve ser conosco. Onde quer que estejamos, devemos vigiar as oportunidades de falar do Salvador a outros. Se seguirmos o exemplo de Cristo em fazer o bem, os corações estarão abertos a nós como estiveram a Ele. Não abruptamente, mas com o tato oriundo do amor divino poderemos falar-lhes dAquele que “traz a bandeira entre dez mil”, e é “totalmente desejável”. Cantares 5:10, 16. Essa é a mais elevada obra em que podemos empregar o talento da linguagem. Foi-nos dado para que pudéssemos apresentar a Cristo como Salvador que perdoa os pecados. PJ 180.2