Conselhos sobre Mordomia

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Capítulo 28 — A riqueza é um talento confiado

Não devem os seguidores de Cristo desprezar a riqueza; devem considerá-la como talento confiado pelo Senhor. Pelo uso sábio de Seus dons, podem eles ser eternamente beneficiados, mas devemos ter sempre em mente o fato de que Deus não nos deu riquezas para usá-las justamente como imaginamos, para satisfazer o impulso, para as conferirmos ou retermos de acordo com a nossa vontade. Não devemos usar as riquezas de maneira egoísta, empregando-as simplesmente para nossa própria satisfação. Tal atitude não seria correta nem para com Deus nem para com nossos semelhantes, trazendo apenas, por fim, perplexidade e dificuldades. [...] CM 83.1

O mundo favorece os ricos e os considera de maior valor que os pobres honestos; mas os ricos desenvolvem seu caráter pela maneira em que usam os dons que lhes foram confiados. Estão revelando se será ou não seguro confiar-lhes riquezas eternas. Tanto os pobres como os ricos estão decidindo o seu próprio destino eterno e provando se são súditos aptos para a herança dos santos na luz. Os que fazem de sua riqueza uso egoísta neste mundo revelam atributos de caráter que mostram o que fariam se tivessem maiores vantagens e possuíssem os tesouros imperecíveis do reino de Deus. Os princípios egoístas exercidos na Terra não são os princípios que prevalecerão no Céu. Todos os homens estão em pé de igualdade no Céu. [...] CM 83.2

Por que é que as riquezas são chamadas riquezas da injustiça? — E porque Satanás usa os tesouros mundanos para armar laços, enganar e iludir pessoas, para conseguir a sua ruína. Deus tem dado instruções quanto à maneira em que devem usar Seus bens aliviando as necessidades da humanidade sofredora, fazendo avançar Sua causa, edificando Seu reino neste mundo, enviando missionários para as regiões distantes, disseminando o conhecimento de Cristo em todas as partes do mundo. Se os meios confiados por Deus não são assim aplicados, não julgará certamente Deus por essas coisas? Pessoas são deixadas a perecer em seus pecados, enquanto membros da igreja que pretendem ser cristãos estão usando o sagrado depósito de meios de Deus na satisfação de apetites não santificados, condescendendo com o eu. CM 83.3

Como os recursos são malbaratados — Que grande quantidade do capital confiado por Deus é gasta na compra de fumo, cerveja e bebidas alcoólicas! Deus proíbe todas essas condescendências porque elas destroem a estrutura humana. Devido a sua condescendência a saúde é sacrificada, e a própria vida é oferecida no altar de Satanás. O apetite pervertido faz com que o cérebro enfraqueça, de modo que os homens não possam pensar com argúcia e clareza, nem idear planos que levem ao êxito nas coisas temporais; e muito menos poderão pôr um intelecto culto em suas transações religiosas. São incapazes de distinguir as coisas sagradas e eternas das que são comuns e temporais. CM 84.1

Satanás tem inventado muitas maneiras de malbaratar os meios que Deus tem dado. O jogo de cartas, as apostas, o jogo de azar, as corridas de cavalo e as representações teatrais, são todos de sua invenção, e ele tem induzido os homens a levarem avante esses divertimentos com tanto zelo como se estivessem adquirindo para si mesmos a preciosa dádiva da vida eterna. Despendem os homens somas imensas em busca desses prazeres proibidos; e o resultado é que, as faculdades que Deus lhes deu, que foram compradas pelo precioso sangue do Filho de Deus, são degradadas e corrompidas. As faculdades físicas, morais e mentais que por Deus são dadas aos homens, e que pertencem a Cristo, são zelosamente usadas em servir a Satanás, e para desviar os homens da justiça e da santidade. CM 84.2

Inventa-se tudo o que possa desviar a mente do que é nobre e puro, e quase se atinge a linha divisória em que os habitantes da Terra serão tão corruptos como os habitantes do mundo antes do dilúvio. [...] CM 84.3

Como nos dias de Noé — Se olharmos ao quadro dos dias antediluvianos, e então volvermos a atenção para os hábitos e práticas da sociedade hodierna, verificaremos que a Terra está rapidamente ficando madura para as pragas dos últimos dias. Os homens têm corrompido a Terra com o seu pecaminoso procedimento. Satanás está fazendo o jogo da vida com os seres humanos. Verificarão os praticantes das palavras de Cristo que terão de vigiar e orar continuamente para não serem levados a cair em tentação. CM 84.4

Muitos parecem não apreciar o fato de que o dinheiro que desnecessariamente gastam em divertimentos que somente perturbam a mente e lançam o fundamento para a corrupção de seus costumes, é dinheiro que pertence ao Senhor. Os que usam o dinheiro para satisfazer o eu estão alegrando e glorificando ao inimigo de toda justiça. Se voltassem o coração para Deus, usariam seu dinheiro para abençoar e elevar aos seus semelhantes, para aliviar a pobreza e o sofrimento. Há em nosso mundo fome, nudez, doença e morte; contudo quão poucos reduzem as suas pecaminosas extravagâncias! Satanás está ideando tudo o que possa inventar para conservar o homem completamente ocupado, a fim de que não tenha tempo para considerar a pergunta: “Como vai minha vida espiritual?” CM 84.5

Interesse de Cristo pela família humana — O dono de todos os nossos tesouros terrestres veio ao nosso mundo na forma humana. O Verbo Se fez carne e habitou entre nós. Não podemos avaliar que profundo interesse Ele tem pela família humana. Ele conhece o valor de cada pessoa. Que tristeza O oprimia ao ver a herança que Ele comprou encantada com as invenções de Satanás! CM 85.1

A única satisfação de Satanás ao fazer o jogo da vida com os seres humanos é a satisfação que tem em ferir o coração de Cristo. Embora fosse rico, Cristo por amor de nós Se fez pobre, para que pela Sua pobreza enriquecêssemos. Contudo, mesmo diante desse grande fato, permite a maioria do mundo que as posses terrenas eclipsem as atrações celestiais. Põem suas afeições nas coisas terrestres, e se desviam de Deus. Que grave pecado é os homens não caírem em si e compreenderem quão insensato é permitir que o apego desordenado às coisas terrenas expulse do coração o amor de Deus. Quando o amor de Deus é expulso, imediatamente penetra o amor do mundo, para preencher o vácuo. Só o Senhor pode purificar o templo da alma da corrupção moral. CM 85.2

Jesus deu Sua vida pela vida do mundo, e dá ao homem valor infinito. Deseja que o homem dê valor a si mesmo, e considere seu bem-estar futuro. Se nosso olho for bom, todo o corpo será luminoso. Se a visão espiritual for clara, as realidades invisíveis serão consideradas no seu valor real, e a contemplação do mundo eterno acrescentará alegria a este mundo. CM 85.3

Na medida em que for mordomo fiel dos bens de seu Senhor, o cristão transbordará de júbilo. Cristo almeja salvar todo filho e filha de Adão. Eleva a voz em advertência, a fim de quebrar o encanto que tem conservado a pessoa presa no cativeiro do pecado. Roga aos homens que deixem sua enfatuação. Ele lhes põe o mundo mais nobre diante dos olhos, e diz: “Não ajunteis para vós tesouros na Terra.” CM 85.4

Sutis tentações — Cristo vê o perigo; conhece as sutis tentações e o poder do inimigo; pois experimentou as tentações de Satanás. Deu Sua vida para proporcionar um período de graça para os filhos e filhas de Adão. Tendo diante de si o resultado da desobediência e transgressão de Adão, e com maior luz brilhando sobre eles, são convidados a ir a Ele e achar descanso. Mas quanto maior for a luz e mais claro o sinal de perigo, tanto maior será a condenação dos que se voltam da luz para as trevas. A importância das palavras de Cristo é séria demais para que elas sejam desrespeitadas. CM 85.5

Os homens parecem movidos por um desejo insano de buscar posses terrenas. Toda sorte de desonestidade é praticada para acumular riquezas. Dedicam-se os homens a suas transações comerciais com intenso zelo, como se o êxito nesse ramo fosse garantia de alcançar o Céu. Empregam o capital confiado pelo Senhor em bens terrenos, e não há meios para fazer o reino de Deus avançar no mundo aliviando o sofrimento físico e mental de seus habitantes. Muitos dos que professam ser cristãos deixam de atender às ordens de Cristo, quando diz: “Ajuntai tesouros no Céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.” CM 85.6

O Senhor não compele os homens a agirem com justiça, e a amarem a misericórdia, e a andarem humildemente com o seu Deus; Ele põe diante do agente humano o bem e o mal, e torna bem claro qual será o resultado certo de seguirem um rumo ou o outro. Cristo nos convida, dizendo: “Segue-Me.” Mas nunca somos forçados a andar nas Suas pisadas. Se nas Suas pisadas andarmos, será em resultado de uma escolha deliberada. Ao vermos a vida e o caráter de Cristo, desperta-se um forte desejo de sermos como Ele no caráter; e prosseguimos em conhecer ao Senhor e saber que as Suas saídas são preparadas como a manhã. Então começamos a reconhecer que “a vereda dos justos é como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito”. — The Review and Herald, 31 de Março de 1896. CM 86.1

Adquirir riqueza não é pecado — A Bíblia não condena o rico porque é rico; não declara que a aquisição de riqueza é pecado, tampouco diz que o dinheiro é a raiz de todos os males. Pelo contrário, declaram as Escrituras que é Deus quem dá poder para adquirir riqueza. E essa capacidade é um precioso talento, uma vez que seja consagrada a Deus e empregada no avanço de Sua causa. A Bíblia não condena o gênio ou a arte, pois eles procedem da sabedoria que Deus dá. Não podemos tornar o coração mais puro ou mais santo cobrindo o corpo de cilício, ou privando o lar de tudo o que proporcione conforto, gosto ou conveniência. CM 86.2

Ensinam as Escrituras que a riqueza só é uma posse perigosa quando posta em competição com os tesouros imortais. É quando o que é terreno e temporal absorve os pensamentos, as afeições, a devoção que Deus requer, que se torna uma cilada. Os que estão trocando o peso eterno de glória por um pouco do brilho e dos ouropéis da Terra, as eternas habitações por um lar que na melhor das hipóteses poderá ser seu apenas por alguns anos, fazem insensata escolha. Essa foi a troca feita por Esaú, quando vendeu seu direito de primogenitura por um prato de guisado; por Balaão, quando trocou o direito ao favor de Deus pelas recompensas do rei de Midiã; por Judas, quando traiu o Senhor da glória por trinta moedas de prata. CM 86.3

É o amor do dinheiro que a Palavra de Deus denuncia como sendo a raiz de todos os males. O dinheiro, em si, é o dom de Deus aos homens, para ser usado com fidelidade em Seu serviço. Deus abençoou a Abraão, e o tornou rico em gado, prata e ouro. E a Bíblia declara, como evidência do favor divino, que Deus deu a Davi, Salomão, Josafá e Ezequias, muita riqueza e honras. CM 86.4

Como os outros dons de Deus, a posse de riqueza traz o seu quinhão de responsabilidade, e suas peculiares tentações. Quantos que, na adversidade, permaneceram fiéis a Deus, têm caído ante as cintilantes seduções da prosperidade. Na posse de riquezas, revela-se a paixão dominante de uma natureza egoísta. O mundo é hoje amaldiçoado pela ávida avareza e pelos vícios de condescendência própria dos adoradores de Mamom. — The Review and Herald, 16 de Maio de 1882. CM 87.1

Há necessidade de talentos financeiros — Os que pertencem às classes mais elevadas da sociedade devem ser procurados em todas as partes com terna atenção e com fraternal consideração. Essa classe tem sido muitíssimo negligenciada. É a vontade do Senhor que os homens a quem Ele confiou muitos talentos ouçam a verdade de maneira diferente daquela em que a ouviram no passado. Os homens de negócio, que estão em posição de confiança, homens de grande capacidade inventiva, e profundo conhecimento científico, homens talentosos, devem ser dos primeiros a ouvir o chamado do evangelho. CM 87.2

Há homens do mundo que têm o poder de organização dado por Deus, que são necessários para levar avante a obra para estes últimos dias. Nem todos são pregadores, mas há necessidade de homens que possam assumir a administração de instituições em que se faça trabalho industrial, homens que possam atuar, nas nossas associações, como líderes e educadores. Deus necessita de homens que possam olhar para a frente e ver o que precisa ser feito, homens que permaneçam tão firmes como as rochas aos princípios, tanto na crise atual como em perigos futuros que possam surgir. — The Review and Herald, 8 de Maio de 1900. CM 87.3