No Deserto da Tentação

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Capítulo 7 — Apetite e paixão

O mundo tinha-se tornado tão corrupto através da condescendência com o apetite e aviltada paixão, nos dias de Noé, que Deus destruiu seus habitantes pelas águas do Dilúvio. Ao multiplicarem-se os homens sobre a Terra, a condescendência com o vinho causava uma pervertida intoxicação dos sentidos e preparava o caminho para o intoxicante consumo de carne e o fortalecimento das paixões animalescas. Os homens se levantaram contra o Deus dos Céus; e suas faculdades e oportunidades foram devotadas à auto-glorificação, ao invés de honrarem seu Criador. Satanás facilmente obteve acesso ao coração dos homens. Ele é um diligente estudioso da Bíblia e está mais familiarizado com as profecias do que muitos professos religiosos. Sabe que é de interesse manter-se bem informado sobre os revelados propósitos de Deus, para que possa desfazer os planos do Infinito. DT 29.2

Assim, infiéis freqüentemente estudam mais diligentemente as Escrituras do que alguns que professam ser guiados por elas. Alguns descrentes investigam as Escrituras para familiarizar-se com a verdade bíblica e fornecer a si mesmos argumentos, para fazer parecer que a Bíblia se contradiz. Muitos professos cristãos são tão ignorantes da Palavra de Deus, pela negligência do seu estudo, que ficam cegos pelo raciocínio enganoso daqueles que pervertem a verdade sagrada desviando almas do conselho de Deus, apresentado em Sua Palavra. DT 30.1

Satanás viu nas ofertas típicas um Redentor esperado, que salvaria o homem do seu controle. Lançou seus planos profundos, para dominar o coração dos homens de geração em geração, e para cegar seu entendimento quanto às profecias, a fim de que, quando Jesus viesse, o povo O rejeitasse como seu Salvador. DT 30.2

Deus designou Moisés para libertar Seu povo da escravidão da terra do Egito, para que eles pudessem consagrar-se a fim de servi-Lo com perfeição de coração, e ser um tesouro peculiar. Moisés era o seu líder visível, enquanto Cristo estava na direção dos exércitos de Israel, seu Líder invisível. Se eles tivessem tido a devida compreensão do que se passava, não se teriam rebelado e provocado Deus no deserto, com as suas murmurações irrazoáveis. Deus disse a Moisés: “Eis que Eu envio um anjo diante de ti, para que te guarde pelo caminho, e te leve ao lugar que tenho preparado. Guarda-te diante dEle, e ouve a Sua voz, e não te rebeles contra Ele, porque não perdoará a vossa transgressão; pois nEle está o Meu nome.” 7 DT 30.3

Quando Cristo, como líder, anjo guardião, condescendeu em comandar os exércitos de Israel através do deserto até Canaã, Satanás foi provocado, pois sentiu que seu poder não seria capaz de controlá-los tão bem. Todavia, ao ver que os exércitos de Israel eram facilmente influenciados e incitados à rebelião por suas insinuações, tinha esperança de levá-los à murmuração e ao pecado, o que traria sobre eles a ira de Deus. Ao verificar que o seu poder era admitido pelos homens, tornou-se audacioso nas suas tentações, incitando-os ao crime e à violência. Por meio dos enganos de Satanás, cada geração ia-se tornando mais fraca em poder físico, mental e moral. Isto lhe dava coragem para pensar na possibilidade de ter êxito em sua guerra contra Cristo em pessoa, quando Ele Se manifestasse. DT 31.1

São poucos em cada geração desde Adão os que têm resistido aos seus artifícios e permanecido como nobres representantes daquilo que o homem em seu poder é capaz de fazer e ser, enquanto Cristo coopera com os esforços humanos para ajudar o homem a sobrepujar o poder de Satanás. Enoque e Elias são representantes corretos do que a raça pode ser, por meio da fé em nosso Senhor Jesus Cristo. Satanás ficou grandemente perturbado porque estes homens nobres e santos eram imaculados no meio da corrupção que os cercava, formando caráter perfeitamente justo e sendo considerados dignos da trasladação para o Céu. Ao permanecerem firmes em poder moral, na justiça enobrecedora, vencendo as tentações de Satanás, ele não podia colocá-los sob o domínio da morte. Jactou-se de que tinha poder para com suas tentações dominar Moisés, e que poderia manchar o seu nobre caráter e levá-lo a pecar, tomando para si, diante do povo, a glória que pertencia a Deus. DT 31.2

Cristo ressuscitou a Moisés e o levou para o Céu. Isto exasperou Satanás, levando-o a acusar o Filho de Deus de invadir seu domínio, roubando da sepultura sua legítima presa. Disse Judas, referindo-se à ressurreição de Moisés: “Contudo, o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo, e disputava a respeito do corpo de Moisés, não se atreveu a proferir juízo infamatório contra ele; pelo contrário, disse: O Senhor te repreenda.”8 DT 32.1

Quando Satanás tem êxito em tentar as pessoas a quem Deus tem especialmente honrado, a cometer graves pecados, ele triunfa, porque ganha para si mesmo uma grande vitória e causa dano ao reino de Cristo. DT 32.2