Filhas de Deus

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Cartas

(Escritas nos dias 10, 12, 16e 17 de Maio de 1876) FD 212.1

Em 1973, uma coleção de aproximadamente 2.000 cartas, escritas entre 1860 e 1899, foi adquirida pelo Patrimônio Literário de Ellen G. White. Originalmente endereçadas para Lucinda Hall, uma das amigas mais íntimas de Ellen White, as cartas foram escritas por adventistas bem conhecidos, como Tiago e Ellen White, Kellogg, Loughborough, Amadon e Haskell. A história de como a coleção chegou ao Patrimônio Literário White foi contada pelo pastor Arthur White, na The Review and Herald, 16 de Agosto de 1973. FD 212.2

Nessa coleção, havia 48 cartas anteriormente desconhecidas, escritas por Ellen White. A maioria consiste de cartas noticiosas, como as que uma amiga escreve a outra. Mas Ellen considerava Lucinda mais do que uma amiga casual. No dia 14 de Julho de 1875, ela escreveu: FD 212.3

“Como gostaria de vê-la, Lucinda. [...] Como senti sua falta nesta viagem. Não que não tenha amigos, mas você é a mais chegada e querida, próxima de minha família, e não faria diferença se fizesse parte dela e meu sangue corresse em suas veias”. — Carta 48, 1875; Manuscript Releases 10:33. FD 212.4

Devido à sua proximidade especial com Lucinda, Ellen White desabafou para a amiga algumas questões familiares, numa série de quatro cartas escritas entre 10 e 17 de Maio de 1876. Considerando as circunstâncias com as quais se esforçava para conviver na época, era muito humano que Ellen White fizesse isso. Mas, apenas um dia após ter escrito a terceira carta, arrependeu-se do que fizera. Na última da série, datada de 17 de Maio de 1876, Ellen White começou dizendo: FD 212.5

“Lamento ter escrito essas cartas. Fossem quais fossem os meus sentimentos, eu não precisaria ter incomodado você com elas. Queime todas as minhas cartas, e não mais lhe relatarei questões que me deixam perplexa. [...] Não serei culpada de proferir uma palavra novamente, sejam quais forem as circunstâncias. O silêncio, em todas as coisas de natureza desagradável ou desconcertante, tem sido sempre uma bênção para mim. Quando me afasto desse procedimento, tenho que lamentar muito”. — Carta 67, 1876. FD 212.6

Mas Lucinda não destruiu as cartas, conforme a solicitação. Foi assim que passaram a ser propriedade do Patrimônio Literário White, em 1973. O Patrimônio, sem saber como lidar com essas quatro cartas, deixou-as de lado, e não as colocou no arquivo costumeiro. Desde então, alguns têm sugerido que o Patrimônio White queime as cartas, em harmonia com o pedido original de Ellen White. Mas outros acham que as cartas devem ser preservadas, por duas razões: (1) A situação enfrentada pelo Patrimônio Literário White é diferente daquela de Lucinda Hall. Foi feito a Lucinda o pedido para queimar as cartas. Como ela não o fez, a comissão do Patrimônio White devia considerar o pedido à luz de sua própria situação. Os críticos poderiam acusar o Patrimônio de destruir não apenas essas cartas, mas outras correspondências e manuscritos; (2) O relato de como Ellen White enfrentou um período extremamente difícil de sua vida poderia ser um auxílio a pessoas que estivessem vivendo circunstâncias semelhantes hoje. FD 212.7

Como muitas pessoas estão a par da situação familiar com a qual Ellen White lutava na época, e com a esperança de que outros que estejam vivendo circunstâncias semelhantes hoje recebam coragem através delas, num contexto adequado para ajudar a entendê-las, essas cartas estão sendo aqui disponibilizadas. FD 213.1