A Ciência Do Bom Viver, A

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A Responsabilidade da Igreja

O interesse da bebida é um poder no mundo. Ele tem de seu lado as forças conjugadas do dinheiro, do hábito e do apetite. Seu poder faz-se sentir na própria igreja. Homens cujo dinheiro foi ganho, direta ou indiretamente, no tráfico das bebidas alcoólicas, são membros de igrejas, de boa reputação. Muitos deles dão liberalmente para as obras populares de caridade. Suas contribuições ajudam a manter os empreendimentos da igreja e a sustentar seus pastores. Impõem a consideração dispensada ao poder do dinheiro. As igrejas que aceitam tais membros estão virtualmente apoiando o comércio de bebidas. Com demasiada freqüência o pastor não tem a coragem de ficar ao lado do direito. Ele não declara ao povo o que Deus disse a respeito da obra do vendedor de bebidas. Falar claramente seria ofender a congregação, sacrificar a popularidade, perder o salário. CBV 340.1

Acima do tribunal da igreja, porém, encontra-se o tribunal de Deus. Aquele que declarou ao primeiro assassino: “A voz do sangue do teu irmão clama a Mim desde a terra” (Gn 4:10), não aceitará para Seu altar as dádivas do traficante de bebidas. Sua ira se acende contra os que tentam cobrir a própria culpa com a capa da liberdade. Seu dinheiro é manchado de sangue. Está sobre ele uma maldição. CBV 340.2

“Livra os que estão destinados à morte e salva os que são levados para a matança, se os puderes retirar. Se disseres: Eis que o não sabemos; porventura, Aquele que pondera os corações não o considerará? Aquele que atenta para a tua alma não o saberá? Não pagará Ele ao homem conforme a sua obra?” (Pv 24:11, 12).

“De que Me serve a Mim a multidão dos vossos sacrifícios,
Diz o Senhor? ...
Quando vindes para comparecer perante Mim,
Quem requereu isso de vossas mãos, que viésseis pisar os Meus átrios?
Não tragais mais ofertas debalde. ...
Quando estendeis as mãos,
Escondo de vós os olhos;
Sim, quando multiplicais as vossas orações, não as ouço,
Porque as vossas mãos estão cheias de sangue”
CBV 341.1

(Is 1:11-15).

O bebedor é capaz de coisas melhores. Foi dotado de talentos com que possa honrar a Deus e beneficiar o mundo; mas seus semelhantes lhe puseram uma armadilha à alma, e edificam-se à custa de sua degradação. Vivem em luxo, ao passo que as pobres vítimas a quem têm roubado vivem na pobreza e na miséria. Mas Deus requererá isto da mão daquele que ajudou a precipitar o bêbado na ruína. Aquele que reina no Céu não tem perdido de vista a causa primária ou o derradeiro efeito da embriaguez. Aquele que cuida do pardal e veste a erva do campo não passará por alto os que foram formados à Sua imagem, comprados com Seu próprio sangue, não dando ouvidos ao seu clamor. Deus registra toda essa impiedade que perpetua o crime e a miséria. CBV 341.2

O mundo e a igreja podem ter aprovação para o homem que adquiriu fortuna degradando a alma humana. Podem sorrir àquele por meio de quem homens são levados passo a passo mais baixo na vereda da vergonha e da degradação. Mas Deus observa tudo, dá em troca um justo juízo. O mercador de bebidas pode ser classificado pelo mundo como um bom comerciante; mas o Senhor diz: “Ai dele!” Ser-lhe-á imputado o desamparo, a miséria, o sofrimento trazido ao mundo pelo comércio de bebidas alcoólicas. Terá de responder pela necessidade e desgraça de mães e filhos que sofreram por falta de alimento, roupa e abrigo, e para quem foram sepultadas toda esperança e alegria. Terá de responder pelas almas que enviou não preparadas para a eternidade. E os que apóiam o mercador de bebidas nessa obra são participantes de sua culpa. A esses diz Deus: “As vossas mãos estão cheias de sangue” (Is 1:15). CBV 341.3