Testemunhos para a Igreja 4

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Capítulo 4 — Condescendência com o apetite

Queridos irmãos e irmãs:

Foram-me mostradas algumas coisas com referência à igreja de _____. Casos individuais foram-me apresentados, os quais, em muitos respeitos, representam o de muitos outros. Entre eles estava o da irmã A e seu esposo. O Senhor o convenceu da verdade. Ele ficou encantado com a harmonia e espírito da verdade, e foi abençoado em confessá-la. Mas Satanás veio-lhe com suas tentações na questão do apetite. T4 28.1

O irmão A por muito tempo havia satisfeito seu apetite com estimulantes, que exerceram influência em anuviar-lhe a mente, enfraquecer-lhe o intelecto e reduzir-lhe as faculdades morais. Razão e discernimento foram postos sob a sujeição do apetite depravado e antinatural, e seu direito de primogenitura, sua hombridade dada por Deus, sacrificados a hábitos intemperantes. Tivesse o irmão A tornado a Palavra de Deus o seu estudo e guia, tivesse confiado em Deus e orado por graça para vencer, haveria reunido forças no nome de Jesus para confundir o tentador. T4 28.2

Mas o irmão A nunca sentiu as elevadas reivindicações que Deus lhe apresentava. Suas faculdades morais se debilitaram por seus hábitos de comer e beber, e por sua dissipação. Quando abraçou a verdade, ele tinha um caráter a formar para o Céu. Deus o poria à prova. Ele tinha uma obra a empreender por si mesmo que ninguém poderia cumprir em seu lugar. Por seu estilo de vida, perdeu muitos anos de precioso tempo de graça, quando poderia ter estado obtendo experiência em questões de religião, e um conhecimento da vida de Cristo, e do infinito sacrifício feito em favor do homem para livrá-lo das amarras com que Satanás lhe havia prendido, habilitando-o para glorificar o Seu nome. T4 28.3

Cristo pagou um elevado preço pela redenção do homem. No deserto da tentação Ele sofreu as mais severas agonias da fome; e enquanto estava enfraquecido pelo jejum, Satanás ficou por perto com suas múltiplas tentações para atacar o Filho de Deus e tirar vantagem de Sua fraqueza e vencê-Lo, assim impedindo o plano da salvação. Mas Cristo manteve-Se firme. Ele venceu em favor do ser humano, para que pudesse resgatar a todos da degradação da queda. A experiência de Cristo é para o nosso benefício. Seu exemplo em derrotar o apetite assinala o caminho para aqueles que desejam ser Seus seguidores e finalmente assentar-se com Ele em Seu trono. T4 29.1

Cristo sofreu fome no sentido mais pleno. A humanidade geralmente tem tudo quanto é necessário para suster a vida. Todavia, a exemplo de nossos primeiros pais, os homens desejam aquilo que Deus retém por não lhes ser o melhor. Cristo sofreu fome de alimento necessário, e resistiu à tentação de Satanás quanto ao apetite. A condescendência com o apetite intemperante gera no homem caído desejos antinaturais pelas coisas que no final se provarão sua ruína. T4 29.2

O homem saiu das mãos de Deus mental e fisicamente perfeito; em perfeita sanidade, portanto, em perfeita saúde. Foram necessários mais de dois mil anos de condescendência com apetite e paixões lascivas para criar tal estado de coisas no organismo humano que reduziria as forças vitais. Através de sucessivas gerações a tendência foi seguir mais rapidamente no rumo descendente. A condescendência com apetite e paixão combinados conduziu a excesso e violência; devassidão e abominações de toda espécie debilitaram as forças, e trouxeram sobre a humanidade doenças de todo tipo, até que o vigor e a glória das primeiras gerações se desfizeram, e, na terceira geração a partir de Adão, o homem começou a revelar sinais de decadência. Gerações sucessivas após o dilúvio degeneraram ainda mais rapidamente. T4 29.3

Todo esse peso de dor e sofrimento acumulados pode ser atribuído à condescendência com o apetite e a paixão. Vida de dissipação e o uso de vinho corrompem o sangue, inflamam as paixões e produzem enfermidades de toda espécie. Mas os males não terminam aqui. Os pais deixam enfermidades como legado a seus filhos. Como regra, cada intemperante que gera filhos transmite à descendência suas inclinações e más tendências; outorga-lhes enfermidades de seu próprio sangue corrupto e inflamado. Licenciosidade, doenças e imbecilidade são transmitidas como uma herança de ais dos pais aos filhos e de geração a geração, e isto traz angústia e sofrimento ao mundo e não é menos que uma repetição da queda do homem. T4 30.1

A contínua transgressão das leis da natureza é uma contínua transgressão da lei de Deus. O atual peso de sofrimento e a angústia que vemos por toda a parte, a atual deformidade, decrepitude, doenças e imbecilidade que agora inundam o mundo, tornam-no, em comparação com o que poderia ser e Deus designou que fosse, um hospital; e a geração atual é débil quanto ao poder mental, moral e físico. Toda esta miséria tem-se acumulado geração após geração, porque o homem caído transgride a lei de Deus. Pecados da maior magnitude são cometidos pela condescendência com o apetite pervertido. T4 30.2

O gosto criado pelo desprezível e imundo veneno do fumo conduz ao desejo por estimulantes mais fortes, como a bebida alcoólica, que é tomada sob um pretexto ou outro, para alguma enfermidade imaginária, ou para prevenir alguma possível doença. Assim, um apetite antinatural é criado por esses estimulantes danosos e excitantes; e esse apetite tem-se fortalecido até que o aumento da intemperança nesta geração se tornou alarmante. Homens amantes das bebidas alcoólicas podem ser vistos por toda a parte. Seu intelecto é enfraquecido, suas faculdades morais debilitadas, sua sensibilidade entorpecida, e as reivindicações de Deus e do Céu deixam de ser percebidas e as coisas eternas não apreciadas. A Bíblia declara que os “bêbados” não “herdarão o reino de Deus”. 1 Coríntios 6:10. T4 30.3

O fumo e o álcool entorpecem e contaminam o usuário. Mas o malefício não pára aí. Ele transmite temperamentos irritadiços, sangue poluído, intelectos debilitados e moral enfraquecida aos filhos, e torna-se responsável por todos os maus resultados que seu estilo de vida errado e dissipador acarretam sobre sua família e comunidade. A humanidade geme sob o peso de acumuladas desgraças, por causa dos pecados de gerações anteriores. E, no entanto, com que descuido ou indiferença homens e mulheres da presente geração se entregam à intemperança no comer e beber, deixando assim como legado às gerações futuras, enfermidades, intelecto debilitado, moral poluída. T4 30.4

A intemperança de qualquer tipo é a pior forma de egoísmo. Os que verdadeiramente temem a Deus e guardam os Seus mandamentos consideram essas coisas à luz da razão e da religião. Como pode algum homem ou mulher observar a lei de Deus, que requer que o homem ame a seu semelhante como a si mesmo, e dissipar-se em apetite intemperante que entorpece o cérebro, enfraquece o intelecto e enche o corpo de enfermidade? A intemperança inflama as paixões e dá rédeas soltas à lascívia. E a razão e a consciência são cegadas pelas paixões inferiores. T4 31.1

Indagamos, que fará o esposo da irmã A? Venderá ele, como Esaú, o seu direito de primogenitura por um guisado de lentilhas? Venderá sua varonilidade de semelhança divina, para satisfazer um apetite pervertido que somente traz infelicidade e degradação? “O salário do pecado é a morte.” Romanos 6:23. Não tem esse irmão a coragem moral para negar o apetite? Seus hábitos não têm estado em harmonia com a verdade, e com os Testemunhos de reprovação que Deus tem julgado apropriado dar ao Seu povo. Sua consciência não estava inteiramente morta. Ele sabia que não poderia servir a Deus e satisfazer seu apetite; portanto, cedeu à tentação de Satanás que foi forte demais para que resistisse pelas próprias forças. Ele foi vencido. Atribuiu seu desejo de interesse pela verdade a outras causas que não a verdadeira, a fim de acobertar o próprio débil propósito e a causa real de seu afastamento de Deus, que foi o apetite descontrolado. T4 31.2

É aí que muitos tropeçam; hesitam entre a negação do apetite e sua condescendência, e finalmente são derrotados pelo inimigo e deixam de lado a verdade. Muitos que apostataram da verdade atribuem como razão para o seu modo de agir o não terem fé nos Testemunhos. A investigação revela o fato de que mantinham alguns hábitos pecaminosos que Deus tem condenado mediante os Testemunhos. A questão agora é, renunciarão eles a seu ídolo que Deus condena, ou continuarão em seu errôneo caminho de condescendência, e rejeitarão a luz que Deus lhes tem dado, reprovando as próprias coisas em que se deleitam? A questão a ser estabelecida com eles é, negarei a mim mesmo e receberei como de Deus os Testemunhos que reprovam meus pecados, ou rejeitarei os Testemunhos porque eles reprovam meus pecados? T4 31.3

Em muitos casos os Testemunhos são plenamente recebidos, o pecado e a condescendência eliminados, e a reforma imediatamente começa em harmonia com a luz que Deus concedeu. Noutros casos, as condescendências pecaminosas são acariciadas, os Testemunhos rejeitados, apresentando-se aos outros muitas falsas desculpas para justificar a recusa. O verdadeiro motivo não é revelado. É uma falta de coragem moral, de uma vontade fortalecida e dirigida pelo Espírito de Deus, para renunciar hábitos perniciosos. T4 32.1

Não é fácil vencer um gosto estabelecido por narcóticos e estimulantes. Somente em nome de Cristo pode essa grande vitória ser conquistada. Ele venceu em favor do homem no longo jejum de quase seis semanas no deserto da tentação. Ele simpatiza com a fraqueza do ser humano. Seu amor pelo homem caído foi tão grande que fez um sacrifício infinito para que pudesse alcançá-lo em sua degradação, e mediante o Seu divino poder finalmente elevá-lo ao Seu trono. Mas depende do homem se Cristo realizará por ele aquilo que é plenamente capaz de fazer. T4 32.2

Apoderar-se-á o homem do poder divino e, com decisão e perseverança resistirá a Satanás, como Cristo lhe deu o exemplo em Seu conflito com o inimigo no deserto da tentação? Deus não pode, contra a vontade do homem, salvá-lo do poder das artimanhas de Satanás. O homem deve agir com sua força, ajudado pelo poder de Cristo, de modo a resistir e vencer seja qual for o custo para si mesmo. Em suma, o homem deve vencer como Cristo venceu. E então, pela vitória que é seu privilégio obter pelo todo-poderoso nome de Jesus, pode-se tornar herdeiro de Deus e co-herdeiro de Jesus Cristo. Tal não seria o caso, se Cristo sozinho alcançasse a vitória. O homem deve fazer sua parte; ele deve ser vencedor por si mesmo, mediante a força e a graça que lhe são dadas por Cristo. O homem precisa ser cooperador de Cristo na obra de vencer, e então será co-participante de Cristo em Sua glória. T4 32.3

É uma obra sagrada esta em que estamos empenhados. O apóstolo Paulo exorta seus irmãos: “Ora, amados, pois que temos tais promessas, purifiquemo-nos de toda imundícia da carne e do espírito, aperfeiçoando a santificação no temor de Deus.” 2 Coríntios 7:1. Conservar o espírito puro, como um templo para o Espírito Santo é um sagrado dever que temos para com Deus. Se o coração e mente são dedicados ao serviço de Deus, obedecendo a todos os Seus mandamentos, amando-O de todo o coração, alma, entendimento e força, e a nosso semelhante como a nós mesmos, seremos achados fiéis e verdadeiros aos requisitos do Céu. T4 33.1

Novamente, diz o apóstolo: “Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para lhe obedecerdes em suas concupiscências.” Romanos 6:12. Ele também incentiva seus irmãos à zelosa diligência e firme perseverança em seus esforços para a pureza e santidade de vida, nestas palavras: “E todo aquele que luta de tudo se abstém; eles o fazem para alcançar uma coroa corruptível, nós, porém, uma incorruptível.” 1 Coríntios 9:25. T4 33.2