Conselhos Aos Pais, Professores E Estudantes

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37 — A Dignidade do Trabalho

Apesar de tudo que tem sido falado e escrito com relação à dignidade do trabalho manual, prevalece a impressão de que ele é degradante. A opinião popular, em muitas mentes, mudou a ordem das coisas, e os homens chegaram a pensar que não é próprio a um homem que faz trabalho braçal ter lugar entre mais honrados. Os homens trabalham arduamente para obter dinheiro; e, havendo adquirido riqueza, supõem que seu dinheiro tornará a seus filhos boas pessoas. Muitos destes, porém, deixam de educar os filhos como eles próprios o foram, para o trabalho árduo, útil. Os filhos gastam o dinheiro ganho pelo trabalho de outrem, sem lhe compreender o valor. Assim empregam mal um talento que era desígnio do Senhor efetuasse muito benefício. CP 273.1

Os propósitos do Senhor não são os propósitos dos homens. Não foi Seu intuito que os homens vivessem na ociosidade. No princípio Ele criou o homem como um ser equilibrado; mas, embora rico de tudo que o Possuidor do Universo poderia suprir, Adão não deveria estar ocioso. Apenas criado, foi-lhe conferido o seu trabalho. Deveria encontrar ocupação e felicidade cuidando das coisas que Deus criara; e como recompensa de seu esforço seriam suas necessidades abundantemente supridas pelos frutos do Jardim do Éden. CP 273.2

Enquanto nossos primeiros pais obedeceram a Deus, seu trabalho no jardim foi um prazer; e de sua abundância a terra produziu para satisfazer suas necessidades. Quando, porém, o homem se afastou da obediência, ficou condenado a lutar com as sementes lançadas por Satanás, e a ganhar o pão como suor do rosto. Desde então teve de lutar, nas labutas e dificuldades, contra o poder a que rendera sua vontade. CP 274.1

Foi propósito de Deus aliviar pelo trabalho o mal acarretado ao mundo pela desobediência do homem. Pelo trabalho as tentações de Satanás poderiam tornar-se ineficazes, e ser detida a onda do mal. E, embora acompanhado de ansiedade, cansaço e dor, é ainda o trabalho uma fonte de felicidade e desenvolvimento, e salvaguarda contra a tentação. Sua disciplina coloca um paradeiro à condescendência própria, e promove a operosidade, a pureza e a firmeza. Assim, torna-se parte do grande plano de Deus para nossa restauração da queda. CP 274.2