No Deserto da Tentação

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Capítulo 18 — O pecado da presunção

O pecado da presunção jaz ao lado da virtude da fé perfeita e da confiança em Deus. Satanás se gabava de que poderia ter vantagem sobre a humanidade de Cristo, insistindo com Ele que passasse da fé para a presunção. Neste ponto muitas almas já caíram. Satanás tentou enganar a Cristo através da lisonja. Admitia que Ele estava correto no deserto, tendo fé e confiança de que Deus era Seu Pai, mesmo sob circunstâncias probantes. Então intimou Cristo a dar-lhe uma prova adicional de Sua inteira dependência de Deus, mais uma evidência de fé de que Ele era o Filho de Deus, atirando-Se do templo. Disse a Cristo que se Ele realmente fosse o Filho de Deus não tinha nada a temer, porque anjos estariam ali para ampará-Lo. Satanás dava evidências de que conhecia as Escrituras pelo uso que fez delas. DT 58.1

O Redentor do mundo não vacilou de Sua integridade, e mostrou que Ele tinha perfeita fé no cuidado prometido por Seu Pai. Não levaria a fidelidade e o amor do Pai a um julgamento desnecessário, apesar de estar nas mãos de um inimigo e colocado numa posição de extrema dificuldade e perigo. Não iria tentar presunçosamente a Deus a que agisse em Sua providência por sugestão de Satanás. Satanás extraiu das Escrituras aquilo que parecia apropriado para a ocasião, esperando conseguir seus intentos fazendo aplicação ao Salvador naquele momento especial. DT 58.2

Cristo sabia que Deus realmente O sustentaria se Ele Lhe tivesse ordenado atirar-Se do pináculo do templo. Mas fazer isto sem ser mandado, tentando o protetor cuidado e o amor do Pai, porque Satanás O desafiara a fazer tal coisa, não mostraria a força de sua fé! Pois Satanás sabia muito bem que se Cristo prevalecesse e sem ser ordenado pelo Pai, saltasse do templo para provar a Sua assertiva do cuidado protetor do Pai celeste, justamente neste ato estaria mostrando a fraqueza de Sua natureza humana. DT 59.1

Cristo saiu vitorioso da segunda tentação. Manifestou perfeita confiança e fé no Pai durante Seu severo conflito com o poderoso inimigo. Nosso Redentor, na vitória aqui obtida, deixou para o homem um exemplo perfeito, mostrando-lhe confiança e inabalável fé em Deus, nas provas e perigos. Ele recusou prevalecer sobre a misericórdia do Pai, colocando-Se em perigo, obrigando o Pai celeste a demonstrar Seu poder para salvá-Lo do perigo. Isto forçaria a providência em Seu favor e Ele não deixaria para Seu povo um exemplo perfeito de fé e firme confiança em Deus. DT 59.2

O objetivo de Satanás ao tentar a Cristo era levá-Lo à presunção audaciosa, mostrando a fraqueza humana que impediria fosse um perfeito modelo para Seu povo. Pensava que se Cristo falhasse em suportar o teste de suas tentações, não poderia haver redenção para a raça humana e o seu poder sobre ela seria completo. DT 60.1