Filhas de Deus

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Maria e Marta

Este capítulo é baseado em Lucas 10:38-42; João 11.

Jesus Se hospedava freqüentemente no lar de Maria e Marta, e de seu irmão Lázaro. Marta, muitas vezes, assoberbava-se com os cuidados das tarefas diárias, enquanto Maria buscava primeiramente as palavras de Jesus. FD 41.1

Jesus, com freqüência, encontrara o repouso que Sua fatigada natureza humana requeria, na casa de Lázaro, em Betânia. Sua primeira visita, ali, ocorrera quando Ele e Seus discípulos se sentiram cansados de uma penosa viagem a pé, de Jericó a Jerusalém. Permaneceram como hóspedes no sossegado lar de Lázaro, e foram acolhidos por suas irmãs, Marta e Maria. FD 41.2

A despeito da fadiga de Jesus, Ele continuou a instrução que estivera dando a Seus discípulos pela estrada, com referência às qualificações necessárias para preparar homens para o reino do Céu. A paz de Cristo repousou sobre o lar do irmão e das irmãs. Marta se enchia de ansiedade para proporcionar conforto aos hóspedes, mas Maria fora seduzida pelas palavras de Jesus a Seus discípulos, e, vendo uma oportunidade áurea de familiarizar-se melhor com as doutrinas de Cristo, entrou silenciosamente na sala onde Ele Se sentara e, ocupando lugar aos pés de Jesus, sorvia ansiosamente cada palavra que Lhe caía dos lábios. — The Spirit of Prophecy 2:358. FD 41.3

Ao dar Cristo Suas admiráveis lições, Maria sentava-se aos Seus pés, ouvinte atenta e reverente. Certa vez, Marta, perplexa com o cuidado de preparar a refeição, foi ter com Cristo, dizendo: “Senhor, não Te importas que minha irmã me deixe servir só? Dize-lhe, pois, que me ajude”. Lucas 10:40. Isto foi por ocasião da primeira visita de Cristo a Betânia. O Salvador e os discípulos haviam feito a pé a fatigante viagem de Jericó até lá. Marta anelava proporcionar-lhes conforto e, em sua ansiedade, esqueceu a gentileza devida ao Hóspede. Jesus lhe respondeu branda e pacientemente: “Marta, Marta, estás ansiosa e afadigada com muitas coisas, mas uma só é necessária; e Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada”. Lucas 10:41, 42. Maria estava enriquecendo o espírito com as preciosas palavras caídas dos lábios do Salvador, palavras mais valiosas para ela do que as mais magníficas jóias da Terra. FD 41.4

A “uma só” coisa que Marta necessitava, era espírito calmo, devoto, mais profundo anseio de conhecimento da vida futura, imortal, e as graças necessárias ao progresso espiritual. Precisava de menos ansiedade em torno das coisas que passam, e mais pelas que permanecem para sempre. Jesus quer ensinar Seus filhos a se apoderarem de toda oportunidade de adquirir o conhecimento que os tornará sábios para a salvação. A causa de Cristo requer obreiros cuidadosos e enérgicos. Existe vasto campo para as Martas, com seu zelo no culto ativo. Sentem-se elas primeiro, porém, com Maria aos pés de Jesus. Sejam a diligência, prontidão e energia santificadas pela graça de Cristo; então a vida será uma invencível força para o bem. — O Desejado de Todas as Nações, 525. FD 41.5

Qual Maria, precisamos assentar-nos aos pés de Jesus para dEle aprender, tendo escolhido aquela melhor parte, que jamais nos será tirada. Como Marta, precisamos ser sempre abundantes na obra do Senhor. As realizações cristãs mais altas só podem ser alcançadas mediante muito uso dos joelhos, em oração sincera. [...] Uma fibrazinha da raiz do egoísmo que permaneça na mente, brotará quando menos se espere, e assim muitos serão contaminados. — Para Conhecê-lo, 351. FD 42.1

Lemos, no relato inspirado, que “amava Jesus a Marta, e a sua irmã, e a Lázaro”; contudo, após ter recebido a notícia [de que Lázaro estava enfermo], “ainda Se demorou dois dias no lugar onde estava”. Guiado por divina sabedoria, Ele não foi imediatamente ao encontro de Seus amados amigos. A mensagem que Lhe chegara não recebeu uma resposta imediata. Maria e Marta não disseram: “Senhor, vem logo e cura nosso irmão.” Confiavam em Jesus, crendo que Ele faria o que fosse melhor em seu favor. Por fim, disse Ele a Seus discípulos: “Nosso amigo Lázaro adormeceu, mas vou para despertá-lo”. — Manuscript Releases 21:111. FD 42.2

Quando Ele [Jesus] chegou a Betânia, ouviu de várias pessoas que Lázaro estava morto, e sepultado fazia quatro dias. [...] Marta apressou-se a encontrá-Lo; contou-Lhe da morte do irmão, dizendo: “Senhor, se estiveras aqui, não teria morrido meu irmão.” Em meio a seu desapontamento e pesar, ela não perdera a confiança em Jesus, e acrescentou: Também sei que, mesmo agora, tudo quanto pedires a Deus, Deus To concederá.” Jesus fortaleceu sua fé, declarando-lhe: “Teu irmão há de ressurgir.” [...] FD 42.3

Quando Jesus perguntou a Marta: “Crês isto?”, ela respondeu com uma confissão de fé: “Senhor, eu tenho crido que Tu és o Cristo, o Filho de Deus que devia vir ao mundo.” Dessa maneira, Marta declarou sua crença em Jesus como Messias, e na Sua capacidade de realizar qualquer obra que Lhe aprouvesse. Jesus pediu que Marta chamasse sua irmã e os amigos que tinham vindo para confortar as aflitas mulheres. Quando Maria chegou, caiu aos pés de Jesus, também chorando: “Senhor, se estiveras aqui, meu irmão não teria morrido.” Diante de todo esse pesar, Jesus “agitou-Se no espírito, e comoveu-Se. E perguntou: Onde o sepultastes? Eles Lhe responderam: Senhor, vem e vê!” Juntos, encaminharam-se todos à sepultura de Lázaro, que era uma gruta a cuja entrada tinham posto uma pedra. — The Spirit of Prophecy 2:362, 363. FD 42.4

Em tudo quanto fazia, Cristo cooperava com o Pai. Tinha sempre o cuidado de tornar claro que não agia independentemente; era pela fé e a oração que Ele realizava Seus milagres. Cristo desejava que todos soubessem Suas relações para com o Pai. “Pai”, disse, “graças Te dou, por Me haveres ouvido. Eu bem sei que sempre Me ouves, mas Eu disse isto por causa da multidão que está em redor, para que creiam que Tu Me enviaste”. João 11:41, 42. Ali aos discípulos e ao povo devia ser proporcionada a mais convincente prova com respeito à relação existente entre Cristo e Deus. Devia-lhes ser mostrado que a afirmação de Cristo não era um engano. FD 43.1

“E tendo dito isto, clamou com grande voz: Lázaro, sai para fora”. João 11:43. Sua voz, clara e penetrante, soa aos ouvidos do morto. Ao falar, a divindade irrompe através da humanidade. Em Seu rosto, iluminado pela glória de Deus, vê o povo a certeza de Seu poder. Todos os olhos se acham fixos na entrada do sepulcro. Todos os ouvidos, atentos ao mais leve som. Com intenso e doloroso interesse, aguardam todos a prova da divindade de Cristo, o testemunho que há de comprovar Sua declaração de ser o Filho de Deus, ou para sempre extinguir a esperança. FD 43.2

Há um ruído na silenciosa tumba, e o que estivera morto aparece à entrada. Seus movimentos são impedidos pela mortalha em que está envolto, e Cristo diz à estupefata assistência: “Desatai-o, e deixai-o ir.” Mais uma vez lhes é mostrado que o obreiro humano deve cooperar com Deus. A humanidade deve trabalhar pela humanidade. Lázaro é desligado e aparece ao grupo, não como uma pessoa emagrecida pela doença, membros débeis e vacilantes, mas como um homem na primavera da vida, no vigor de nobre varonilidade. Brilham-lhe os olhos de inteligência e de amor para com o Salvador. Lança-se em adoração aos pés de Jesus. — O Desejado de Todas as Nações, 536. FD 43.3

Mediante a ressurreição de Lázaro, muitos foram levados a crer em Jesus. Era plano de Deus que Lázaro morresse e fosse posto na tumba antes da chegada do Salvador. A ressurreição de Lázaro foi o milagre coroador de Cristo, e por causa dele muitos glorificaram a Deus. — Manuscript Releases 21:111. FD 43.4

Simão* fora curado de lepra, e isso é que o atraíra a Jesus. Desejara mostrar sua gratidão e, na última visita de Cristo a Betânia, ofereceu um banquete ao Salvador e a Seus discípulos. [...] À mesa achava-Se Jesus, tendo a um lado Simão [...] e do outro Lázaro [...]. Marta servia à mesa, mas Maria escutava ansiosamente toda palavra que caía dos lábios de Jesus. Em Sua misericórdia perdoara Jesus os seus pecados, chamara do sepulcro seu bem-amado irmão, e a alma de Maria estava cheia de reconhecimento. Ouvira Jesus falar de Sua morte próxima e, em seu profundo amor e tristeza, almejara honrá-Lo. Com grande sacrifício para si, comprara um vaso de alabastro de “ungüento de nardo puro, de muito preço” (João 12:3) para com ele ungir-Lhe o corpo. Mas agora muitos diziam que Ele estava para ser coroado rei. Seu pesar transformou-se em alegria, e ansiava ser a primeira a honrar a seu Senhor. Quebrando o vaso de ungüento, derramou o conteúdo sobre a cabeça e os pés de Jesus e, depois, enquanto de joelhos chorava umedecendo-os com lágrimas, enxugava-os com os longos cabelos soltos. [...] FD 43.5

Judas contemplou a mesma com grande desagrado. [...] Disse: “Por que não se vendeu este ungüento por trezentos dinheiros e não se deu aos pobres?” João 12:5. [...] E em volta da mesa passou a murmuração: “Para que é este desperdício?” Mateus 26:8. [...] Maria ouviu as palavras de crítica. [...] Estava para se esquivar dali, quando se ouviu a voz de seu Senhor: “Deixai-a, por que a molestais?” Marcos 14:6. [...] Erguendo a voz acima dos murmúrios da crítica, disse: “Ela praticou boa ação para comigo. Porque os pobres, sempre os tendes convosco e, quando quiserdes, podeis fazer-lhes bem, mas a Mim nem sempre Me tendes. Esta fez o que podia; antecipou-se a ungir o Meu corpo para a sepultura”. Marcos 14:6-8. — O Desejado de Todas as Nações, 557-560. FD 44.1