Filhas de Deus

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A morte de uma amiga

Os parágrafos seguintes foram tirados de uma carta escrita para Edson e Emma White, acerca de um acidente que ocorreu perto do Colégio de Avondale, na Austrália. FD 181.1

Na segunda-feira de manhã, achei que minha família não parecia natural. Alguma sombra estranha pairava sobre todos. Pela manhã, Sara e eu fomos à estação para esperar Willie, mas ele não chegou. O Pastor Gates, que havia falado ao povo em Wallsend, no domingo à noite, voltou conosco da estação e Sara o levou à escola, trazendo de volta com ela o pastor Daniells e o irmão Hare. Sara me contou que esses irmãos gostariam de falar comigo. Troquei algumas palavras com o pastor Daniells acerca da obra em Maitland, e então o irmão Hare puxou sua cadeira para perto da minha e disse que tinha algo para me contar. Então me contou que na tarde anterior ocorrera um acidente perto da escola. FD 181.2

A irmã Peck, a Srta. Gates e a filha da irmã Boyd vinham de Sunnyside para a escola com um cavalo que sempre consideraram seguro e obediente, embora desajeitado. Qualquer descuido do condutor e ele enveredava para um lado. A estrada para a escola não era a definitiva, mas foi aberta para ser usada enquanto não se fazia outra melhor. Sob a supervisão do pastor Haskell, os rapazes da escola fizeram uma ponte de troncos sobre o córrego. Ao aproximar-se a charrete dessa ponte, as ocupantes viram que uma árvore havia caído atravessada sobre o caminho, e a irmã Peck, que segurava as rédeas, achou que seria melhor descer e conduzir o cavalo para contorná-la. Mas, em vez de ficar parado, o cavalo começou a ir para trás, e tentou voltar para casa outra vez. FD 181.3

Ninguém previu algum perigo. Mas estavam mais perto da margem do córrego do que supunham, e, em poucos segundos, a charrete e suas ocupantes, com exceção da Srta. Peck, estavam dentro da água, que no local tem uns quatro metros e meio de profundidade. A irmã Peck foi lançada fora sobre a ribanceira, e a charrete, ao descer, passou por cima dela. Mas ela não se machucou muito. Ajudou Ella Boyd a sair da água, mas a Srta. Gates estava fora do alcance delas. Ella Boyd correu até a escola e chamou os homens, que em três minutos tiraram o corpo da Srta. Gates da água. Carregaram-na até a escola e fizeram todo o possível para reanimá-la, mas sem sucesso. Estava morta. Todos crêem que ela não morreu por afogamento, pois não se debateu para salvar-se. Achamos que o choque a matou. Ela foi sepultada na tarde de segunda-feira. FD 181.4

A irmã Gates estava com a saúde frágil. Havia sofrido muito com dificuldade pulmonar. No dia anterior à sua morte, ela falara com a irmã Hughes a respeito do seu caso. Disse que seu problema pulmonar havia FD 181.5

voltado, e que sabia que uma longa enfermidade estava diante de si. Para ela, o futuro representava uma apreensão terrível, pois seu irmão e esposa estavam lutando com problemas de saúde, e ela não suportava a idéia de ser um fardo para eles. Seus pais, irmãos e irmãs estavam todos mortos, com exceção do irmão. Achamos bom que ela não tivesse que sofrer de uma enfermidade prolongada, e a colocamos para repousar por um pouco de tempo, até ser chamada para uma gloriosa imortalidade. — Carta 203, 1899. FD 182.1