Cristo em Seu Santuário

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O fim dos 2300 dias

Entre as profecias que formam a base do despertamento do movimento adventista na primeira década dos anos 1830 e 1840 estava a de Daniel 8:14: “Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado.” Ellen White, que passou pela experiência, esclarece com respeito à aplicação desta profecia: CS 7.5

“Em conformidade com o resto do mundo cristão, os adventistas admitiam, nesse tempo, que a Terra, ou alguma parte dela, era o santuário. Entendiam que a purificação do santuário fosse a purificação da Terra pelos fogos do último grande dia, e que ocorreria por ocasião do segundo advento. Daí a conclusão de que Cristo voltaria à Terra em 1844.” — O Grande Conflito, 408. CS 8.1

Este período profético chegou ao fim em 22 de Outubro de 1844. Para os que esperavam encontrar o Senhor nesse dia, o desapontamento foi grande. Hirão Edson, um criterioso estudioso da Bíblia na parte média do Estado de Nova Iorque, descreve o que aconteceu entre o grupo de crentes de que ele era parte: CS 8.2

“Nossas expectações haviam-se elevado alto, e assim aguardávamos a vinda de nosso Senhor, até que o relógio soou as doze horas da meia-noite. O dia havia-se passado então, e nosso desapontamento havia-se tornado uma certeza. Nossas mais fundas esperanças e expectações foram derruídas, e sobre nós veio tal espírito de pranto como jamais havíamos experimentado antes. Parecia que a perda de todos os amigos terrestres não podia ter comparação. Choramos e choramos, até que o dia raiou. ... CS 8.3

“Ponderando em meu coração, eu disse a mim mesmo: ‘Minha experiência do advento tem sido a mais bela de toda a minha experiência cristã. ... Falhou a Bíblia? Não há Deus, nem Céu, nem cidade dourada e nem Paraíso? Não passa tudo isto de uma fábula habilidosamente engendrada? Não são reais nossas mais fundas esperanças e expectações?’... CS 8.4

“Eu comecei a sentir que devia haver luz e auxílio para nós nesta hora de agonia. Eu disse a alguns dos irmãos: ‘Vamos para o celeiro.’ Entramos no celeiro, fechamos a porta, e dobramo-nos perante o Senhor. Oramos ferventemente, pois sentíamos nossa necessidade. Prosseguimos em fervorosa oração até que nos fosse dado o testemunho do Espírito de que nossas orações eram aceitas, e luz ser-nos-ia concedida — nosso desapontamento explicado e satisfatoriamente esclarecido. CS 8.5

“Depois do desjejum eu disse a um de meus irmãos: ‘Vamos sair e encorajar a alguns de nossos irmãos.’ Saímos, e enquanto caminhávamos através de um grande campo, fui obstado aproximadamente na metade do campo. O Céu parecia abrir-se ante meus olhos, e eu vi clara e distintamente que em vez de nosso Sumo Sacerdote haver saído do lugar santíssimo do santuário celestial para a Terra no décimo dia do sétimo mês, ao final dos 2300 dias, Ele, pela primeira vez, entrava nesse dia no segundo compartimento daquele santuário, e que Ele tinha um trabalho a realizar no lugar santíssimo antes de vir à Terra; que Ele veio para as bodas, ou em outras palavras, ao Ancião de Dias, a fim de receber o reino, e o domínio e a glória; e que devíamos esperar Seu retorno das bodas. E minha mente foi dirigida para o décimo capítulo de Apocalipse, onde pude ver que a visão havia falado e não havia mentido.” — Manuscrito inédito, publicado em parte na The Review and Herald, 23 de Junho de 1921. CS 8.6

Seguiu-se daí uma cuidadosa investigação das Escrituras, de todos os textos que tocavam neste assunto — particularmente os de Hebreus — por parte de Hirão Edson e dois íntimos associados; o Dr. F. B. Hahn, médico, e O. R. L. Crosier, professor. O resultado do estudo deste grupo foi escrito por Crosier e publicado, primeiro no The Day Dawn, um jornal de circulação limitada, e então reescrito e ampliado no formato num exemplar especial do The Day-Star, 7 de Fevereiro de 1846. Este foi o jornal adventista mais amplamente lido, publicado em Cincinnati, Ohio. Por este meio foi alcançado certo número dos desapontados crentes do advento. A então extensa apresentação, bem comprovada pelas Escrituras, levou esperança e coragem ao coração deles, ao mostrar claramente que o santuário devia ser purificado ao fim dos 2300 dias no Céu, e não na Terra, como haviam crido então. CS 9.1

Ellen G. White, numa afirmação escrita em 21 de Abril de 1847, declarou em endosso do artigo de Crosier sobre a questão do santuário: CS 9.2

“O Senhor me mostrou em visão, passado mais de um ano, que o irmão Crosier tinha a verdadeira luz sobre a purificação do santuário, etc.; e que foi Sua vontade que o irmão Crosier escrevesse a visão que ele nos apresentou no The Day-Star, 7 de Fevereiro de 1846. Sinto-me inteiramente autorizada pelo Senhor a recomendar esse Extra a cada santo.” — A Word to the Little Flock, 12. CS 9.3

Posteriormente ela escreveu a respeito do rápido desenvolvimento da compreensão doutrinal que se seguiu ao desapontamento: CS 9.4

“O passamento do tempo em 1844 foi um período de grandes eventos, abrindo-se a nossos olhos atônitos a purificação do santuário que ocorria no Céu, e tendo decidida relação com o povo de Deus sobre a Terra.” — Manuscrito 13, 1889, publicado em Counsels to Writers and Editors, 30. CS 9.5