Testemunhos Seletos 2

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Trabalho abnegado por outros

Possam os que se têm revelado negligentes nesta obra considerar sua responsabilidade em face do grande mandamento que diz: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” Este dever impende sobre todos. De todos se requer que trabalhem, a fim de minorar os sofrimentos de seus semelhantes e aumentar-lhes as bênçãos. Se somos fortes em nossa resistência às tentações, cumpre-nos ajudar os que são fracos e a elas cedem. Se temos conhecimentos, devemos ensinar os ignorantes. Se Deus nos deu bens deste mundo, devemos com eles socorrer os pobres. Devemos trabalhar em prol de outros. Todos os que se encontram dentro da esfera de nossa influência, devem participar de todos os bens de que somos feitos depositários. Ninguém deve contentar-se com fruir os benefícios do evangelho, sem reparti-los com os que estão ao seu redor. TS2 249.1

Só vivem para Cristo e Lhe honram o nome os que são fiéis ao Mestre, buscando salvar os perdidos. A verdadeira piedade forçosamente há de traduzir-se naquele ardente anelo e diligente esforço do Salvador crucificado, para salvar aqueles por quem morreu. Quando nosso coração tiver sido enternecido e submetido pela graça de Cristo, quando arder com o senso da bondade e do amor de Deus, o amor, a simpatia e a benevolência dele se derramarão espontânea e ternamente sobre os outros. A verdade exemplificada na vida há de, como o fermento oculto, exercer seu poder sobre todos os que com ela entrarem em contato. TS2 249.2

Deus determinou, como único meio de crescer no conhecimento e na graça de Cristo, que o homem Lhe imite o exemplo e trabalhe como Ele trabalhou. Há de custar muito, às vezes, dominar os próprios sentimentos, a fim de não falar em tom que possa infundir desalento aos que se acham em tentações. Uma vida de oração e ações de graça, que faça incidir sua luz sobre a vereda de outros, não é possível sem decididos esforços. Mas esses esforços hão de ser recompensados, trazendo bênçãos não só ao que recebe como também ao que dá. TS2 249.3

O espírito de trabalho desinteressado em favor de outros, imprime ao caráter solidez e constância, revestindo-o da amabilidade de Cristo, e dá ao seu possuidor paz e ventura. Suas aspirações são enobrecidas, e não há nele lugar para a ociosidade e egoísmo. Os que cultivam as virtudes cristãs hão de crescer, desenvolver nervos e músculos espirituais e ser fortes em seu trabalho para Deus. Revelarão uma percepção espiritual aguda, fé crescente e poder triunfante na oração. Os que velam pelas almas e se consagram de todo à salvação dos que erram, operam o mais seguramente possível a sua própria salvação. TS2 250.1

Mas quanto este trabalho tem sido negligenciado! Se as idéias e sentimentos estivessem sempre assim votados a Deus, porventura teriam podido perecer almas, sob o império do erro e das tentações de modo tão insensível e descuidoso como aliás sucedeu? Não se teriam feito antes mais decisivos esforços, inspirados no amor e na humildade de Cristo, a fim de salvar essas almas errantes? Todos os que forem verdadeiramente devotados a Deus, hão de desempenhar-se com maior zelo da obra pela qual Ele fez o melhor que pôde, oferecendo por ela um sacrifício infinito — a obra de salvar almas. É esta uma obra especial que se deve cultivar e custear, sem jamais afrouxar os esforços. TS2 250.2