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Capítulo 4

Quando uma doença grave penetra numa família, há grande necessidade de cada um dos membros dar estrita atenção ao asseio pessoal, e ao regime alimentar, para se conservarem em estado sadio e, assim fazendo, se fortalecerem contra a doença. É também de suma importância que o quarto do doente, desde o princípio, tenha ventilação adequada. Isto será benéfico para o doente, e grandemente necessário para conservar sãos os que são obrigados a permanecer bastante tempo no quarto. ME2 455.1

É de grande valor ao doente que no quarto seja igual a temperatura. Isto nem sempre pode ser determinado corretamente, se ficar a juízo dos serventes, pois podem eles não ser os melhores juízes quanto à temperatura certa. E algumas pessoas requerem mais calor que outras, e só se sentem bem num quarto que, para outro, seria desagradavelmente quente. E se cada um destes tiver liberdade de graduar a temperatura de modo a satisfazer a suas idéias quanto ao calor adequado, a atmosfera do quarto será tudo, menos apropriada. Às vezes será tão quente que incomode o doente; noutra ocasião demasiado fria, o que terá efeito muito prejudicial para o doente. Os amigos ou assistentes do enfermo que, por causa da ansiedade e do vigiar são privados de sono, e súbito são despertados à noite para acudir ao quarto do enfermo, são susceptíveis a resfriados. Esses não servem de termômetros corretos da temperatura sadia de um quarto de doente. Estas coisas podem parecer de pouca monta, mas têm muito que ver com a recuperação do doente. Em muitos casos a vida tem sido posta em perigo por mudanças extremas da temperatura do quarto do doente. ME2 455.2

Quando a temperatura é agradável, de modo algum devem os doentes ser privados de completo suprimento de ar puro. Talvez os quartos não tenham sido construídos de modo a permitir que as janelas ou as portas de seu quarto fiquem abertas, sem que a corrente venha diretamente sobre eles, expondo-os a resfriar-se. Nestes casos devem ser abertas as janelas e portas de um aposento contíguo, deixando assim o ar puro penetrar no quarto ocupado pelo doente. O ar puro demonstrar-se-á mais benéfico ao doente do que os remédios, e lhes é muito mais necessário do que o alimento. Passarão melhor, e mais depressa se restabelecerão, privados de alimento, do que de ar puro. ME2 455.3

Muitos inválidos foram confinados semanas e meses em quartos fechados, excluindo-se a luz, e o puro e revigorante ar do céu, como se o ar fosse inimigo mortal, quando era justamente o remédio que o doente precisava para ficar bom. O organismo todo estava debilitado e enfermo por falta de ar, e a natureza sucumbia à carga de acumuladas impurezas, a não falar dos tóxicos da moda, ministrados pelos médicos, até ser dominada e baquear em seus esforços, e o doente morrer. Poderia ter vivido. O Céu não queria a sua morte. Morreu vítima de sua própria ignorância e da dos amigos, e da ignorância e engano dos médicos, que lhe ministraram venenos da moda e não lhe permitiram beber água pura e respirar ar renovado, para lhe revigorar os órgãos vitais, purificar o sangue e ajudar a natureza em sua tarefa de vencer o mau estado do organismo. Esses valiosos remédios que o Céu proveu, sem dinheiro e sem preço, foram postos de lado, e considerados não só sem valor, mas mesmo como inimigos perigosos, ao passo que os venenos prescritos pelos médicos, foram tomados em cega confiança. ME2 456.1

Têm morrido por falta de água pura e puro ar, milhares de pessoas que poderiam ter vivido. E milhares de inválidos vivos, que são um peso morto para si e para os outros, pensam que sua vida dependa de tomar medicamentos receitados pelos médicos. Estão constantemente guardando-se do ar e evitando o uso da água. Estas bênçãos precisam eles para sararem. Se fossem esclarecidos e deixassem intocados os remédios, acostumando-se ao exercício ao ar livre, e ao ar dentro de casa, no verão e no inverno, e usassem água branda para beber e banhar-se, sentir-se-iam relativamente bem e felizes, em vez de curtir uma existência infeliz. ME2 456.2

É dever dos assistentes e enfermeiros, no quarto do enfermo, ter cuidado especial de sua própria saúde, especialmente nos casos críticos de febre e de tuberculose. Não deve uma só pessoa permanecer muito confinada ao quarto do doente. É mais seguro poder confiar em duas ou três pessoas, que sejam enfermeiros cuidadosos e compreensivos e se revezem no cuidado e confinamento do quarto do doente. Cada um deles deve fazer exercício ao ar livre, quantas vezes possível. Isto é importante para os serventes junto ao leito do enfermo, especialmente se os amigos do doente pertencem à classe dos que continuam a considerar o ar, admitido ao quarto, como um inimigo, não permitindo que se abram as janelas ou portas. O doente, juntamente com os que o assistem, são assim obrigados a respirar dia a dia a atmosfera tóxica, por causa da inescusável ignorância dos amigos do doente. ME2 456.3

Em muitíssimos casos os serventes ignoram as necessidades do organismo e a relação que tem com a saúde o respirar ar puro, bem como os efeitos de respirar o ar viciado do quarto de doente — ar que destrói a vida. Neste caso a vida do doente corre perigo, e os próprios serventes ficam sujeitos a apanhar doenças, perdendo a saúde e talvez a vida. ME2 457.1

Se a febre entra numa família, muitas vezes acontece que mais de um dos membros a apanha. Isto não precisa ser assim, se são corretos os hábitos da família. Se seu regime alimentar é o que deve ser, e observam hábitos de asseio, e reconhecem a necessidade de ventilação, não é preciso que a febre contagie outro membro da família. A razão de certas febres demorarem em famílias, expondo os serventes, está em não ser o quarto do doente mantido livre de infecções tóxicas, mediante o asseio e ventilação adequada. ME2 457.2

Se os serventes estão alerta à questão da saúde e reconhecem a necessidade de ventilação para seu próprio benefício, assim como o do paciente, mas os parentes, assim como o doente, se opõem à admissão de ar e luz ao quarto, os serventes não devem ter escrúpulos de consciência para sair do quarto. Devem sentir-se desobrigados de seus deveres para com o doente. Não é dever de um ou mais, arriscar a possibilidade de apanhar doença, pondo em perigo sua vida pelo respirar um ar tóxico. Se o doente cair vítima de suas próprias idéias errôneas, excluindo do quarto a mais necessária das bênçãos celestes, que assim faça, mas não com risco dos que devem viver. ME2 457.3

Uma mãe, por intuição de dever, deixa sua família para trabalhar num quarto de doente, onde não se permitiu que entrasse ar puro, e adoece por respirar o ar viciado, que lhe afeta todo o organismo. Depois de um período de muito sofrimento, morre, deixando órfãos seus filhos. O doente, que participou da simpatia e do abnegado cuidado daquela mãe, restabelece-se; mas nem o doente nem os amigos do doente entenderam que uma vida preciosa foi sacrificada por causa da sua ignorância quanto à relação que o ar puro mantém com a saúde. Nem sentiram eles responsabilidade para com o rebanho ferido, deixado sem o terno cuidado materno. ME2 457.4

As mães às vezes permitem às filhas cuidarem de doentes em quartos mal ventilados e, em conseqüência, têm de cuidar delas através de um período de doença. E por causa de sua ansiedade e do cuidar de sua filha, a mãe por sua vez adoece, e muitas vezes uma delas, ou ambas, morrem, ou ficam com a constituição arruinada, ou se tornam inválidas pelo resto da vida. Há um lamentável catálogo de males que têm sua origem no quarto de doente, do qual se excluiu o ar puro do céu. Todos os que respiram esse ar tóxico violam as leis de seu ser, e têm de sofrer a pena. ME2 458.1

Os doentes, em geral, são molestados com demasiadas visitas, que com eles conversam e os cansam introduzindo diferentes assuntos, quando eles precisam é de descanso, quieto e imperturbado. Muitos adoecem por exigir demais de suas forças. Suas energias exauridas os compelem a cessar o trabalho, e são depostos no leito de sofrimento. Descanso, ausência de cuidados, luz, ar puro, água pura e dieta frugal, é tudo o que necessitam para sararem. É bondade errada a que leva a tantos, por cortesia, a visitar os doentes. Muitas vezes estes passam uma noite insone e sofrida, depois de receber visitas. Ficaram um tanto agitados, e a reação foi demasiado grande para suas energias já debilitadas e, em resultado dessas visitas da moda, foram levados a um estado muito perigoso, e vidas têm sido sacrificadas por falta de reflexão e prudência. ME2 458.2

Às vezes é grato ao doente receber visita, e saber que os amigos não o esqueceram em sua doença. Mas, embora tenham sido satisfatórias, em muitíssimos casos essas visitas da moda têm mudado os pratos da balança quando o doente estava melhorando, descendo ele à morte. Os que não se podem tornar úteis devem ser cuidadosos na questão de visita aos doentes. Se não podem fazer algum bem, talvez façam o mal. Mas os doentes não devem ser negligenciados. Devem receber o melhor dos cuidados, bem como a simpatia de amigos e parentes. ME2 458.3

Muito mal tem resultado aos doentes, do costume generalizado de ficarem pessoas vigiando, durante a noite. Nos casos críticos isso pode ser necessário; mas muitas vezes se dá o caso de causar essa prática mais dano do que benefício ao doente. Tem sido costume excluir o ar do quarto do doente. A atmosfera desses quartos, para dizer pouco, fica muito viciada, o que muito agrava o estado do doente. Além disso, haver uma ou duas pessoas vigiando, para usar o pouco ar necessário que encontre entrada ao quarto pelas frestas das portas e janelas, significa privá-lo dessa vitalidade, deixando-o mais debilitado do que se tivesse sido deixado só. O mal não termina aqui. Mesmo um só vigia causa algum movimento, o que perturba o doente. Havendo dois a vigiar, muitas vezes conversam juntos, às vezes em voz alta, mas mais freqüentemente em tom de cochicho, o que é muito mais incômodo e excitante aos nervos do doente do que falar alto. ME2 459.1

Muitas noites sofridas e insones são suportadas pelos doentes por causa de vigilantes. Se fossem deixados a sós, sem a luz acesa, sabendo que todos repousavam, poderiam muito melhor dispor-se a dormir, e de manhã despertariam refrigerados. Cada respiração de ar vital no quarto do doente é de sumo valor, embora muitos doentes ignorem este fato. Sentem-se muito deprimidos, e não sabem de que se trata. Uma lufada de ar puro através de seu quarto teria sobre eles um efeito feliz e revigorador. ME2 459.2

Se, porém, temem o ar, e se excluem desta bênção, o pouco que é permitido alcançá-los não deve ser consumido por vigilantes, ou pela luz de lampião. Os serventes dos doentes devem, se possível, deixá-los em calma e repouso através da noite, enquanto ocupam um aposento contíguo. ME2 459.3

Todo ruído e agitação desnecessários devem ser evitados no quarto do doente, e a casa toda deve ser conservada o mais quieta possível. Ignorância, esquecimento e descuido têm causado a morte de muitos que poderiam ter vivido, se tivessem recebido cuidado adequado, de serventes judiciosos e atentos. As portas devem ser abertas e fechadas com grande cuidado, e os serventes devem ter domínio próprio, e ser calmos, serenos. ME2 459.4

Deve o quarto do doente, se possível, ter circulação de ar, dia e noite. A corrente não deve incidir diretamente sobre o doente. Enquanto há febre alta, pouco perigo existe de apanhar um resfriado. Mas torna-se necessário o cuidado especial quando sobrevém a crise, e a febre cede. Então pode ser necessária a vigilância constante, para conservar no organismo a vitalidade. O doente precisa de ar puro, revigorante. Se não se puder conseguir outro meio, deve o doente, se possível, ser removido para outro quarto e outra cama, enquanto o quarto, a cama e a roupa da mesma são purificados pela ventilação. Se os que têm saúde precisam das bênçãos da luz e do ar, e precisam observar hábitos de asseio para continuarem bem, os doentes estão em necessidade ainda maior de isso observarem, na proporção de seu estado de debilidade. ME2 460.1

Grande quantidade de sofrimento poder-se-ia poupar se todos trabalhassem para evitar a doença, obedecendo estritamente às leis da saúde. Estritos hábitos de asseio devem ser observados. Muitos, enquanto se acham bem, não se dão ao trabalho de manter-se com saúde. Negligenciam o asseio pessoal, e não são cuidadosos em manter limpa sua roupa. Impurezas estão constante e imperceptivelmente saindo do corpo, pelos poros, e se a superfície da pele não for conservada em estado sadio, o organismo se sobrecarrega com substâncias impuras. Se a roupa usada não é lavada freqüentemente, e muitas vezes arejada, torna-se imunda com as impurezas que são expelidas do corpo pela perspiração sensível e insensível. E se a roupa usada não é limpa freqüentemente dessas impurezas, os poros da pele reabsorvem a matéria gasta expelida. As impurezas do corpo, se não se permitir que saiam, são devolvidas ao sangue e impostas aos órgãos internos. A natureza, para aliviar-se das impurezas tóxicas, faz um esforço por livrar o organismo — esforço que produz febres, e que se denomina doença. Mas mesmo então, se os doentes ajudassem a natureza em seus esforços, mediante o uso de água pura, branda, muito sofrimento seria evitado. Muitos, porém, em vez de isso fazer, e procurar remover do organismo a matéria tóxica, nele introduzem um veneno mais mortífero, para remover um tóxico já ali presente. ME2 460.2

Se toda família reconhecesse os benéficos resultados de um asseio completo, fariam esforços especiais para remover toda impureza, de si e de sua casa, e estenderiam seus esforços aos arredores. Muitos deixam matéria vegetal em decomposição na proximidade de sua casa. Não estão alerta aos efeitos dessas coisas. Dessas substâncias em decomposição sobe constantemente uma emanação que intoxica o ar. Inalando o ar impuro, intoxica-se o sangue, os pulmões ficam afetados, e todo o organismo enferma. Doenças de quase todas as descrições são causadas pela inalação do ar afetado por essas substâncias em decomposição. ME2 460.3

Famílias têm sido afligidas com febres, alguns membros têm morrido e os restantes da família quase murmuraram contra seu Criador por causa da triste perda, quando a causa única de toda a sua doença e morte foi resultado de seu próprio descuido. As sujidades em volta de sua casa acarretaram-lhes doenças contagiosas, e as tristes aflições de que acusam a Deus. Toda família que preze a saúde deve limpar sua casa e arredores de toda substância em decomposição. ME2 461.1

Deus ordenou que os filhos de Israel em caso algum tolerassem a impureza em sua pessoa ou sua roupa. Os que tinham qualquer impureza pessoal eram excluídos do acampamento até à tarde, e então tinham que lavar-se e a sua roupa, antes de poderem entrar no acampamento. Também lhes ordenou Deus que não tivessem sujidades em seus arredores até grande distância do acampamento, para que o Senhor, passando, não visse sua imundície. ME2 461.2

Com respeito ao asseio, Deus não requer menos de Seu povo hoje, do que em relação ao Israel antigo. A negligência da limpeza induz a doença. Doença e morte prematura não vêm sem causa. Febres obstinadas e graves doenças têm prevalecido em comunidades e cidades anteriormente consideradas salubres, e alguns têm morrido, enquanto outros foram deixados com a constituição alquebrada, mutilados por toda a vida, pela doença. Em muitos casos seu próprio quintal contém o agente de destruição, que despediu veneno letal para a atmosfera, para ser inalado pela família e a vizinhança. A lerdeza e negligência testemunhada às vezes é animalesca, e a ignorância dos efeitos dessas coisas sobre a saúde é assombrosa. Esses lugares devem ser limpos, especialmente no verão, com auxílio de cal, ou cinza, ou pelo enterramento diário. ME2 461.3

Algumas casas são mobiliadas ricamente, mais para satisfazer o orgulho e para receber visitas, do que com vistas ao conforto, conveniência e saúde da família. Os melhores aposentos são conservados escuros. Excluem-se a luz e o ar, para que a claridade do céu não estrague a rica mobília, nem desbote os tapetes ou deslustre as molduras dos quadros. Quando se permite às visitas assentar-se nesses aposentos preciosos, correm perigo de resfriar-se, por causa da atmosfera semelhante à de porão, que os satura. Salas de visita e quartos de dormir são conservados fechados da mesma forma, e pelas mesmas razões. E quem quer que ocupe essas camas que não foram livremente expostas à luz e ao ar, fazem-no a expensas da saúde, e muitas vezes da própria vida. ME2 462.1

Os aposentos que não são expostos à luz e ao ar tornam-se úmidos. As camas e a roupa atraem umidade, e a atmosfera desses recintos é tóxica, porque não foi purificada pela luz e pelo ar. Doenças várias se têm produzido por dormir nesses apartamentos da moda, daninhos à saúde. Toda família que preze a saúde mais do que o vão aplauso de visitantes da moda, providenciará a circulação do ar, e abundância de luz em cada cômodo de sua casa, por várias horas cada dia. Muitos, porém, seguem a moda tão de perto, que se tornam escravos dela, e preferem sofrer doença e mesmo a morte, a afastar-se da moda. Colherão aquilo que semeiam. Continuam a viver segundo a moda e sofrer doenças em conseqüência, medicando-se com tóxicos da moda e morrendo morte segundo a moda. ME2 462.2

Os quartos de dormir, especialmente, devem ser bem arejados, tornando-se-lhe saudável a atmosfera, mediante luz e ar. As persianas devem deixar-se abertas várias horas por dia, as cortinas corridas e o aposento arejado completamente. Não deve ficar, nem por breve espaço de tempo, coisa alguma que destrua a pureza da atmosfera. ME2 462.3

Muitas famílias sofrem de dor de garganta e moléstias dos pulmões, e males do fígado, causados por seu próprio procedimento. Seus quartos de dormir são pequeninos, impróprios para neles se dormir uma só noite, mas ocupam esses quartinhos por semanas, e meses, e anos. Conservam fechadas as janelas e portas, receando apanhar resfriado se houver uma frestazinha que deixe penetrar o ar. Respiram repetidamente o mesmo ar, até tornar-se ele impregnado das impurezas tóxicas e matérias gastas expelidas de seu corpo, através dos pulmões e dos poros da pele. Esses podem pôr à prova a questão, e convencer-se do ar insalubre de seus aposentos fechados, se neles penetrarem depois de terem ficado um pouco ao ar livre. Terão então uma idéia das impurezas que transmitiram ao sangue, mediante as inalações dos pulmões. Os que assim abusam da saúde, têm de sofrer doenças. Todos deveriam considerar a luz e o ar como pertencendo às mais preciosas bênçãos do Céu. Não devem excluir essas bênçãos, como se fossem inimigos. ME2 462.4

Os dormitórios devem ser amplos e dispostos de modo a circular através deles o ar, dia e noite. Os que têm excluído o ar de seus quartos de dormir, devem começar imediatamente a mudar seu procedimento. Devem deixar entrar o ar aos poucos, e aumentar sua circulação até que o possam suportar, no inverno e no verão, sem perigo de resfriar-se. Os pulmões, para serem sadios, precisam de ar puro. ME2 463.1

Os que não tiverem no quarto a livre circulação do ar durante a noite, geralmente despertam sentindo-se exaustos, febris, e não sabem a causa. O que todo o organismo pedia, era ar, o ar vital, mas não pôde obter. Ao levantar-se de manhã, a maioria das pessoas tiraria benefício de tomar um banho de esponja ou, se for mais agradável, um banho manual, com uma simples bacia d'água. Isto removerá impurezas da pele. Então se deve remover a roupa de cama, peça por peça, e expô-la ao ar. As janelas devem ser abertas e as persianas enroladas, deixando-se que o ar circule livremente por várias horas, se não o dia inteiro, através dos aposentos de dormir. Desta forma a cama e as roupas se tornarão completamente arejadas e serão removidas do quarto as impurezas. ME2 463.2

É insalubre ter muito perto de casa, árvores e arbustos densos, pois impedem a livre circulação do ar, e não deixam que através deles os raios do Sol brilhem suficientemente. Em conseqüência, a casa se torna úmida. Especialmente nos períodos de chuva os dormitórios se tornam úmidos, e os que dormem nessas camas ficam atacados de reumatismo, nevralgia e dores nos pulmões, que geralmente terminam em tuberculose. Muitas árvores de sombra derrubam muita folhagem que, se não forem removidas imediatamente, apodrecem, intoxicando a atmosfera. Um quintal enfeitado de árvores esparsas e alguns arbustos, a distância apropriada de casa, tem efeito alegre e feliz sobre a família e, se forem bem cuidados, não se mostrarão daninhos à saúde. As moradias devem, se possível, ser construídas em terreno alto e seco. Se se constrói uma casa em lugar onde a água se junta em derredor e fica por algum tempo, secando então aos poucos, sobem emanações tóxicas, resultando febre intermitente, dor de garganta, doenças dos pulmões e febres. ME2 463.3

Muitos têm esperado que Deus os guardasse da doença simplesmente porque Lhe pediram que o fizesse. Deus, porém, não tomou conhecimento de suas orações, porque sua fé não foi aperfeiçoada pelas obras. Deus não operará um milagre para guardar de doenças os que não cuidam de si mesmos, mas transgridem continuamente as leis da saúde, não fazendo nenhum esforço por evitar a doença. Quando fazemos tudo que de nossa parte podemos, para ter saúde, então podemos esperar que se seguirão os benditos resultados, e podemos com fé pedir a Deus que abençoe nossos esforços para preservação da saúde. Então Ele atenderá a nossas orações, se com isso puder ser glorificado o Seu nome. Compreendem, porém, todos, que têm uma obra a fazer. Deus não operará de modo milagroso para preservar a saúde das pessoas que seguem um procedimento que por certo os tornará doentes, por motivo de sua negligente desatenção às leis da saúde. — How to Live, 4:54-64. ME2 464.1